INVESTIMENTOS VIRÃO COM PROGRAMA DE
CONCESSÕES NA ÁREA DE INFRAESTRUTURA.
A presidente Dilma Rousseff anunciou ontem
(9), em Brasília, um pacote de concessões e investimentos em infraestrutura
estimado em R$ 198,4 bilhões. Desse montante, pelo menos R$ 21 bilhões estão
previstos para serem aplicados dentro do Estado do Pará. De acordo com a
segunda etapa do chamado Programa de Investimento em Logística (PIL), R$ 66,1
bilhões dos investimentos totais serão em rodovias; R$ 86,4 bilhões em
ferrovias; R$ 37,5 bilhões em portos e R$ 8,5 bilhões em aeroportos. A previsão
é que esses investimentos comecem ainda em 2015 e se entendam até depois de
2019.
Na avaliação do governo federal, 20 Estados e
130 municípios do País serão beneficiados. O Pará aparece como um dos mais
contemplados, com investimentos em quase todos os setores, com destaque para o
modal de ferrovia.
O programa anunciado ontem pela presidente
Dilma Rousseff prevê o trecho de 477 quilômetros de ferrovia entre Barcarena
(PA) e Açailândia (MA) no bloco de investimento de R$ 7,8 bilhões, voltado a
conclusão do corredor Norte-Sul; e outros R$ 9,9 bilhões para o trecho de 1.140
quilômetros que deve ligar Lucas de Rio Verde (MT) ao porto de Miritituba, no
município paraense de Itaituba, que tem como objetivo melhorar o escoamento da
produção agrícola do Mato Grosso pela hidrovia do Tapajós.
Na parte de rodovias, o programa indica o
leilão, ainda este ano, para a concessão de duplicação da BR-163 entre Sinop
(MT) e Itaituba (976 quilômetros). O investimento da ordem de R$ 6,6 bilhões
também visa aumentar o escoamento da produção agrícola do Centro-oeste pelos
portos do Pará, sobretudo o de Miritituba, como forma de desafogar os portos de
Santos, em São Paulo, e de Paranaguá, no Paraná.
O capítulo de concessões portuárias prevê
ainda 50 novos arrendamentos no País divididos em dois blocos. O primeiro
contempla 29 terminais, sendo 20 deles em portos do Pará - investimento acima
de R$ 3,3 bilhões e com prazo de 25 anos. Nesse rol, aparecem os portos de Vila
do Conde, em Barcarena; de Outeiro, em Belém; de Miramar, também na capital
paraense; e de Santarém. A licitação desse primeiro bloco será dividida em duas
etapas e, segundo o governo federal, deverão acontecer ainda em 2015. Também
estão programadas 63 novas autorizações para Terminais de Uso Privado (TUPs), com
destaque para sete deles no Estado do Pará, previstos em R$ 621,25 milhões, em
Ananindeua, Belém, Itaituba e Santarém.
CRESCIMENTO
Durante a solenidade no Palácio do Planalto,
a presidente Dilma Rousseff afirmou que o novo PIL vai dar impulso à geração de
emprego e à atividade econômica no País, classificando-o como uma “progressiva
virada de página” após um período de críticas pelo baixo desempenho econômico e
resistências ao ajuste fiscal. “Esse programa é a abertura para um futuro
melhor, para a retomada do crescimento. Seus efeitos serão múltiplos”, disse.
Conforme a presidente, ainda que os
investimentos demandem algum tempo de “maturação”, seus primeiros efeitos serão
“imediatos”. Ela ressaltou que esse é só o começo da agenda positiva do governo,
que ainda deve lançar nos próximos dias um plano de incentivo às exportações, a
terceira fase do programa habitacional “Minha Casa, Minha Vida” e um outro
plano voltado para o setor de energia.
Já o ministro do Planejamento, Nelson
Barbosa, disse que o plano representa uma “estratégia de política social”.
“Estamos em um momento de alguns ajustes da política econômica devido às atuais
condições internacionais e domésticas. É o momento de construirmos as bases
para o novo momento com ampliação do ganhos sociais e para o ganho na
produtividade. Com isso poderemos crescer mais e aumentar a distribuição de
renda”, disse o ministro.
Ele detalhou que o governo vai adotar o
modelo de licitação por outorga ou compartilhamento de investimento em
ferrovias. As concessões, como são comumente conhecidas, são autorizações dadas
pelo governo para que empresas ou grupos de investimento administrem, operem ou
construam obras públicas como rodovias e aeroportos. O modelo mais conhecido é
o que foi aplicado em algumas rodovias do País, em que o governo leiloou
trechos já existentes para que empresas privadas pudessem operá-los. Neste
modelo, as empresas são autorizadas a cobrar pedágios dos usuários, mas ficam
obrigadas a fazer a manutenção da via e a oferecer serviços além de, em alguns
casos, realizar obras de ampliação dos trechos.
Em relação as rodovias, o ministro explicou
que o plano de concessões de rodovias prevê a realização de cinco leilões em
2015 e 11 em 2016. A estimativa é de que o governo consiga R$ 50,8 bilhões.
Outros R$ 15,3 bilhões viriam de investimentos a serem realizados por
concessionárias que já estejam operando trechos. No setor de aeroportos, os
investimentos serão da ordem R$ 8,5 bilhões, com previsão de concessão dos
aeroportos de Porto Alegre (RS), Salvador (BA), Florianópolis (SC) e Fortaleza
(CE). Os leilões estão previstos para serem realizados no primeiro trimestre de
2016.
Por fim, os investimentos em portos serão de
R$ 37,4 bilhões e preveem pelo menos 50 novos arrendamentos de portos, 63
autorizações dos chamados TUPs e renovações de arrendamentos. Os novos
arrendamentos de portos serão realizados em dois blocos, cujo o primeiro leilão
está previsto para ser realizado ainda em 2015, e o segundo para o primeiro
semestre de 2016.
Fonte: ORM