Idosos na faixa de 60 a 70 anos de idade
aprendem a escrever e ler nas aulas do Movimento de Alfabetização de
Jovens e Adultos (Mova Pará Alfabetizado), desenvolvido pela Secretaria de
Estado de Educação (Seduc). Uma formação continuada reúne nesta semana, 60
alfabetizadores e coordenadores de turma. A abertura das atividades ocorreu
nesta quarta-feira (19), no Hotel Mangal, à beira do rio Mojuin.
Sob a supervisão da coordenadora regional do Mova Seduc,
Roberta Pinheiro, e da coordenadora municipal em São Caetano de Odivelas,
Shirlane Santos, a programação segue até sexta-feira (21). "O Mova Pará
Alfabetizado conta com 55 turmas em São Caetano de Odivelas, ou seja, atende a
cerca de 400 estudantes, entre pescadores, agricultores, donas de casa,
marisqueiros, apicultores e caraguejeiros", diz Roberta.
A abertura da programação – em sequência a uma formação
inicial dos alfabetizadores e ooordenadores de turma, no começo do ano letivo –
foi marcada pela apresentação do Grupo de Caribó da Melhor Idade do Rio Mojuin
(integrado, inclusive, por alunos do Mova) e pela exposição de trabalhos
artesanais confeccionados pelos estudantes do programa. A banda de música
Milícia Odivelense, integrada por jovens dos municípios, apresentou-se aos
educadores e estudantes.
Na formação continuada, os educadores assimilam técnicas
pedagógicas para trabalhar a relação ensino-aprendizagem em sala de aula, com
destaque para o desenvolvimento cognitivo dos estudantes. As aulas do Mova Pará
Alfabetizado são ministradas à noite em escolas municipais de São Caetano de
Odivelas, em parceria com a rede municipal de ensino.
Identidade
– Na
alfabetização de senhores e senhoras os educadores não abrem mão dos saberes e
da realidade dos moradores das comunidades de São Caetano. "Alguns alunos
têm uma base de estudos, mas outros não. Trabalhamos a realidade deles em sala
de aula. Na matemática, usamos as quantidades de frutas e verduras do trabalho
na roça e também a atividade relacionada aos caranguejos. No ensino da língua
portuguesa, são trabalhados os nomes dos animais, frutos e produtos da roça,
como milho, e outros elementos que integram a identidade dos alunos",
afirma a alfabetizadora do Mova, Francinete Lima Cardoso, 33 anos.
Francinete ministra aula para oito alunos, na Escola
Municipal Professor Teodoro de Oliveira, no Alto Canapu, interior de São
Caetano de Odivelas. "Muitos alunos chegam cansados do dia de trabalho na
roça, e, então, procuramos passar os conteúdos com uma conversa descontraída,
afetuosa", assinala. As aulas do Mova têm duração de oito meses, e os
alunos concluintes podem, então, ingressar nas etapas da Educação de Jovens e
Adultos (EJA).
Em muitos casos, o educador do Mova tem de mostrar a
alguns papais e vovôs como segurar um lápis e uma caneta. Coordenadora de sete
turmas em escolas da sede e no interior do munícipio, Ana Célia Alves destaca
que a cada mês é trabalhado um tema central para discussão em sala de
aula, além das atividades rotineiras nas escolas. Neste mês, o tema central é
"Respeitando a Terceira Idade", em que são enfocados os direitos e
cuidados referentes aos idosos.
Resgate
– Shirlane
Santos informa que os educadores seguem de carro, de moto e de barco para
comunidades para garantir as atividades pedagógicas aos cidadãos. “Os alunos às
vezes ficam uma semana sem aparecer na aula, por conta do trabalho, mas quando
voltam vêm com vontade de aprender. Em geral, eles não tiveram chance de
estudar quando crianças e jovens", observa.
A vontade de aprender e de se integrar foi o que fez o
pescador aposentado Raimundo Dias, 76 anos, frequentar as aulas do Mova.
"Gosto de estudar e de estar com as pessoas, sempre em atividade, porque a
gente está sempre aprendendo nesta vida", afirma. Maria Madalena Zeferino
de Barros, 79 anos, igual a Raimundo, atua no grupo de carimbó que se
apresentou na abertura do evento. "É muito bom aprender, e posso, assim,
ajudar os meus filhos com o que aprendo", ressalta.
Na mostra de produtos artesanais "Oficina:
Compartilhando Saberes do Mova", os alunos expuseram artigos como cestos,
paneiros, tapetes, canetas e cadernos decorados, artigos de decoração, peso de
porta e dobraduras de papel. Os produtos servem para que as famílias obtenham
uma renda extra além das atividades de pesca, basicamente, Em todas as
atividades do Mova, educadores e estudantes ratificam a identidade de São
Caetano de Odivelas, conhecido pela grande quantidade de caranguejo e pela
animação dos bois de máscaras Tinga e Faceiro atrelada à alfabetização de quem
nunca perde o gosto pelo saber.
Marajó
– A
ilha também recebeu profissionais capacitados para atuar no processo de
alfabetização de jovens e adultos, por meio do Mova Pará Alfabetizado, que, de
segunda a esta quarta-feira (19), promoveu mais uma formação continuada, com a
participação de 74 formandos, entre eles coordenadores e alfabetizadores dos
municípios de Curralinho e Muaná.
A construção de materiais para alfabetização, trocas de
experiências, momentos de socialização, produção de instrumentos e orientação
aos profissionais fizeram parte da programação. No decorrer das atividades foi
proposta uma troca de experiências, em que os coordenadores e alfabetizadores
falaram de suas histórias de dificuldade e superação.
Segundo a coordenadora regional do programa, Wanice
Camila, as histórias compartilhadas serviram de incetivo e apóio mútuo aos
formandos e ajudaram também na avaliação dos resultados que o Mova está
alcançando. “Temos na região do Marajó inúmeras histórias compartilhadas, que
servem de estímulo para o exercício desse trabalho desenvolvido pelos coordenadores
e alfabetizadores, que além de receberem a ajuda de custo, têm uma boa vontade
de trabalhar e ajudar o próximo”, diz.
O Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos é um
programa destinado a pessoas com a faixa etária de 15 anos em diante, que nunca
estudaram ou não completaram os estudos, considerados analfabetos funcionais. O
objetivo é alfabetizar e dar continuidade a vida escolar. Para a alfabetizadora
Leonor Ferreira, 54 anos, a percepção de que as pessoas da região precisavam
ser alfabetizadas a motivou para que pudesse colaborar com o projeto.
“Quando percebi que as pessoas precisavam da nossa
ajuda, nesse caso, da minha ajuda para alfabetizar, procurei os profissionais
responsáveis e disse que queria fazer parte do projeto”, diz, destacando a
satisfação em ver os resultados dos alunos. “É gratificante vermos alunos que
não conseguiam sequer escrever o nome, e que hoje conseguem tirar documentos e
ler livros”, finaliza.
Fonte:AGPA