O calor infernal, o terreno esburacado e a
paisagem desértica dos campos marajoaras no alto verão da ilha são capazes de
espantar qualquer turista. Ou quase. Atletas aventureiros do Pará, Maranhão,
Amazonas e Amapá enfrentaram no último sábado (28/11) uma centena de
quilômetros dentro da Ilha do Marajó na maratona de mountain bike Outdoor
Challenge, que partiu de Salvaterra. Um prova de resistência sob duas rodas que
reuniu 64 atletas e durou mais de 12 horas, na qual os vitoriosos cruzaram a
linha de chegada no máximo do limite físico – um dos atletas atravessou a
chegada com o banco da bike quebrado, pedalando sempre em pé, e outro atleta
enfrentou os últimos quilômetros com pneu furado. Ninguém parou de pedalar.
“O Pará deve valorizar muito o que está sendo
realizado como esporte de aventura. Não há nada igual em maratona de mountain
bike sendo realizado no Norte do Brasil”, afirmou o atleta amazonense Cassio
Augusto Stremel – 10º lugar no Marajó e bicampeão nas edições anteriores da
prova em Bujaru e Salinópolis. No Marajó, a competição Outdoor Challenge teve
percursos de 75 km e 150 km, por caminhos duríssimo que combinaram pistas de
velocidade com terrenos complicados.
“Estamos levando atletas a grandes cenários
amazônicos para viver experiências marcantes em esportes de aventura. Lugares
onde a natureza é linda e desafiadora. Lugares que carimbam a Amazônia como
casa dos esportes de aventura”, afirma Alan Cativo, diretor da Associação
Esportiva Outdoor Challenge.
TERRUADA
Para os ciclistas, a maior ilha
fluvio-marítima do mundo abriga um tipo de terreno incomparável: a terruada,
que é modelada pelas pisoteadas de búfalos marajoaras sob o solo úmido na época
de transição das chuvas para o verão. Já no alto verão, com o clima
extremamente seco, os buracos deixados pelos búfalos dão forma à terruada.
Equilibrar-se e vencer o desgaste físico sob centenas de milhares de buracos é
parte do desafio. “É um terreno ao mesmo tempo temido e admirado, difícil de
pedalar e por isso mesmo tão atraente para os atletas”, explica Rubens Campos,
da Outdoor Challenge. “Não é à toa que todos receberam medalhas ao cruzar a
linha de chegada”, concluiu Rubens.
Fonte: Diário do Pará