Representantes de
órgãos do Governo do Estado, empresários, sindicalistas e integrantes do
Movimento Acorda Marajó se reuniram nesta quinta-feira (17), na Secretaria de
Estado de Transportes (Setran), para definir novos direcionamentos sobre a
questão do transporte hidroviário entre Belém e a ilha do Marajó. O encontro
ficara acertado na última segunda-feira (14), entre a diretoria da Agência de
Regulação e Controle de Serviços Públicos do Pará (Arcon) e moradores do
arquipélago.
Da reunião desta
quinta-feira, participaram também o secretário adjunto de Transporte, Hélio
Cardoso; o diretor da Companhia de Portos e Hidrovias (CPH), Haroldo Bezerra; a
promotora do Ministério Público do Estado (MPE) em Salvaterra, Melina Alves
Barbosa; e representantes das empresas Henvil e Banav.
O movimento
reivindicava o cancelamento imediato do reajuste das passagens e tarifas nas
travessias fluviais entre a capital e o arquipélago, que fora autorizado pelo
Conselho Estadual de Regulação e Controle de Serviços Públicos (Conerc) e
homologado pela Arcon em outubro passado, e que começou a ser praticado no
início do mês de dezembro, após publicação no Diário Oficial do Estado.
Os integrantes do
movimento argumentavam que esse é o segundo reajuste nas tarifas em 2015. A
Arcon demonstrou que o último reajuste de tarifas fora concedido em fevereiro
do ano passado, e que o anterior, ao que se referiam os marajoaras, foi
concedido por meio de liminar da Justiça.
No início deste ano de 2015, as empresas que operam o setor hidroviário
conseguiram na Justiça a autorização de reajuste da tarifa, mas que é referente
ao ano de 2014. O autorizado pelo Conerc se refere ao ano em curso.
O representante do
Movimento Acorda Marajó, Marcelo Bastos, expôs os problemas pelos quais os
usuários passam nas viagens, como a questão da acessibilidade, o conforto nas
poltronas e cadeiras dos veículos e também o problema com a duração das
viagens. Outros representantes dos 80 mil moradores de quatro municípios da
ilha do Marajó – Soure, Salvaterra, Cachoeira do Arari e Santa Cruz do Arari –
também expuseram reivindicações.
Ajustes – A empresa
Henvil foi representada na reunião pela advogada Helena Guerra, que fez uma
longa explanação sobre os problemas pelos quais a empresa também passa, como o
reajuste dos preços de combustíveis, reajuste salarial de funcionários e
depredação dos navios e balsas, entre outros. Ela adiantou que a questão da
acessibilidade já está sendo providenciada, com a adaptação dos veículos. Disse
também que as poltronas serão trocadas em, no máximo, dois meses, e garantiu
que um novo ferry boat, com capacidade para mil passageiros e 100 veículos, já
está na fase final de construção, mostrando fotos aos presentes.
Ao final de quase
três horas de reunião foi proposto pela Arcon que o reajuste da tarifa será
suspenso imediatamente e será somente praticado a partir de 1 janeiro de 2016.
A Arcon também se comprometeu em levar a outros órgãos do Governo do Estado a
reivindicação dos usuários para que o transporte de itens da cesta básica de
alimentos, de materiais de construção e de combustíveis receba tratamento diferenciado
e seja menos tributado.
“Essa ação não
depende apenas da Arcon. Por isso, vamos conversar com órgãos como a Secretaria
de Fazenda (Sefa), para que esse tipo de transporte passe a pagar menos impostos,
com algum tipo de isenção. Isso vai ter um impacto no preço desses produtos
juntos aos moradores do arquipélago marajoara”, disse o diretor geral da Arcon,
Andrei Castro.
O Governo do Estado
tem constante preocupação com o povo marajoara, continuou o diretor da Arcon.
Ele citou melhorias nessa relação com a implementação de linha de lancha rápida
no trecho Belém-Salvaterra-Soure; a construção de um ginásio de esportes na
cidade de Salvaterra; a reforma de portos na ilha já em 2017, que ficará a
cargo da CPH; uma linha de ferry boat para o município de Ponta de Pedras; e o
concurso público para Arcon, no ano que vem, o qual abrirá 86 novas vagas, na
grande maioria de fiscais, que irão atuar também no arquipélago.
Marcelo Bastos
falou em nome do grupo e agradeceu pelo diálogo proveitoso entre o movimento e
o Governo do Estado. “Não é nossa intenção fazer manifestações e parar o
movimento nos portos. O que queremos é ser ouvidos e mostrar que temos direitos
e que precisamos de um serviço de transporte digno. Agradecemos à Arcon pelo
constante diálogo. Isso é muito proveitoso e o debate pelas melhorias no
transporte para o Marajó continua”, disse.
Fonte: AGPA.