A produção do açaí
vai aumentar em 360 mil toneladas anuais nos próximos oito anos, com a expansão
em um terço da área atualmente cultivada, conforme planejamento elaborado pela
Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap) a partir do
Programa Pró-Açaí, que será lançado hoje, em Belém. Hoje, o Pará é o maior
produtor nacional de açaí, com 154 mil hectares de área plantada e manejada em
12,8 mil propriedades rurais distribuídas em todo o estado, com produção anual
de um milhão de toneladas de frutos. A partir do Pró-Açaí, a Sedap vai expandir
em 50 mil hectares a área cultivada com fruto no período de 2016 a 2020,
gerando um ganho de 36% na produção até 2024, quando todas as novas áreas
cultivadas estarão produzindo de forma plena.
O programa Pró-Açaí
foi elaborado pela Sedap, em parceria com a Embrapa, Ideflor-Bio e Emater. A
meta do projeto é implantar 10 mil hectares de açaizeiros nas regiões de terra
firme, na forma de cultivo solteiro ou em Sistemas Agro-Florestais (SAFs). A
proposta, em terra firme, é aproveitar apenas as áreas já abertas pela ação
humana - como pastagens abandonadas - e envolver mil produtores rurais, de
pequeno, médio e grande porte, utilizando, entre outras tecnologias, a
irrigação. Já nas áreas de várzea, onde se concentra atualmente a maior parte
da produção paraense, a meta do Pró-Açaí até 2020 é ampliar as técnicas de
manejo e de enriquecimento em 40 mil hectares de açaizais envolvendo 10 mil
produtores familiares das regiões do Marajó e Baixo Tocantins.
No ano retrasado,
apenas as vendas externas do produto injetaram mais de R$ 225 milhões na
economia estadual. A demanda continua crescente e a produção local não consegue
atender de forma satisfatória ao aumento da procura pelo fruto, o que culmina,
entre outros fatores, na carestia preço. "Um dos pontos importantes do
programa é a incorporação de tecnologia ao processo. Nas áreas de terra firme,
por exemplo, a ideia é triplicar a produtividade com o uso de irrigação,
passando das atuais quatro toneladas de frutos por hectare, em média, para uma
média de 12 toneladas de frutos colhidos por hectare", explica o diretor
de Agricultura Familiar da Sedap, Luiz Pinto.
Outro aspecto
observado pela Sedap para implantação do programa é a expansão da cadeia
produtiva, que trará ganhos sociais com a criação de mais três mil empregos
diretos e 12 mil indiretos em área de terra firme e de cinco mil ocupações
produtivas diretas e de outras 20 mil ao longo da cadeia, nas áreas de várzea.
O ganho social é, na opinião do secretário de Desenvolvimento Agropecuário e da
Pesca, Hildegardo Nunes, o principal trunfo do programa. "A cadeia do açaí
permite uma rápida incorporação de renda para os produtores familiares. É
nítida a ascensão social das comunidades, especialmente as ribeirinhas, onde há
extração e manejo de açaí em função do aumento da demanda pelo fruto",
avalia o titular da Sedap.
O secretário
explica ainda que, além da geração de emprego e renda, o programa visa promover
o manejo e o enriquecimento dos açaizais de várzea, estimular o desenvolvimento
sustentável das regiões produtoras, e expandir o cultivo do açaizeiro em Sistemas
Agro-Florestais (SAF), com foco na recuperação de áreas degradadas em terra
firme.
Fonte: O Liberal.