A biodiversidade e estabilidade do Pará
diante da crise econômica brasileira formam um cenário favorável para a entrada
de novas empresas. Depois da multinacional argelina Cevital e da China Railway
Construction Corporation, o mercado paraense continua atraindo a atenção e
estudos para futuros empreendimentos. Na tarde desta segunda-feira (22), no
Palácio do Governo, em Belém, a Frooty Comércio e Indústria de Alimentos S/A e
a Cobremack assinaram um protocolo de intenções para investimentos no Estado. A
cerimônia contou com a presença do governador Simão Jatene, secretários de
estado e representantes do setor produtivo.
“Estamos fazendo um esforço enorme para que
essa dramática crise que marca o país não machuque ainda mais a nossa gente.
Certamente uma das saídas é o aumento da produção, do emprego e da renda. E
para isso, é fundamental a construção de parcerias estratégicas entre o Estado
e a iniciativa privada. Não queremos ser exportadores de matérias primas, mas
transformá-las aqui no Estado, gerando emprego e renda”, destacou o governador
Simão Jatene.
A Frooty é referência global no mercado de
açaí. Há 21 anos no comércio, a empresa tem sociedade com um produtor local de
polpa em Breves, no Marajó, e uma fábrica de beneficiamento em Atibaia (SP).
Com a assinatura, ela se compromete a expandir seus negócios no Estado. “Hoje
compramos 80% da nossa matéria prima do Pará. A nossa ideia é fortalecer os
nossos fornecedores para que façam parte do nosso produto final aqui, na
indústria de beneficiamento que pretendemos implantar. Já investimos até agora
aproximadamente R$ 4 milhões na fábrica de Breves e estamos querendo nos
associar de mais uma, que deve receber um investimento de quase R$10 milhões”,
afirmou o diretor fundador da Frooty, Marcelo Cesana.
“A instalação da fábrica aumentará também a
oferta de empregos. Nossa capacidade tem crescido 30% ao ano e com a instalação
da fábrica devemos aumentar esse número em 10 a 20%”, acrescentou. A marca está
presente em todas as regiões do país e em mercados internacionais, com
representação em 13 países como EUA e Austrália, Dubai, Suíça, China, República
Dominicana, Chile, Canadá, Coréia, França, Portugal, Espanha e Argentina.
Em 2015, as vendas externas do açaí
injetaram mais de R$ 225 milhões na economia local. A intenção com a assinatura
é dinamizar ainda mais a cadeia produtiva do fruto. Aliado aos investimentos,
com a implantação de novas fábricas de beneficiamento, o governo também quer
ampliar o cultivo no Estado por meio do Programa de Desenvolvimento da Cadeia
Produtiva do Açaí no Estado do Pará (Pró-Açaí), lançado no mês de janeiro pela
Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap). A meta é, em até
quatro anos, expandir em 50 mil hectares a área plantada com açaí e aumentar a
produção em 360 mil toneladas anuais de frutos. Com o mercado promissor, a
intenção é manter o Pará na liderança da produção nacional, competindo com
estados como Minas, Bahia, Espírito Santo e São Paulo.
Novos mercados
Já a Cobremack é uma empresa especializada
na fabricação de fios e cabos elétricos. Possui três parques industriais, sendo
dois em São Paulo, que atendem as regiões Sul, Sudeste, Centro-oeste e Norte, e
um na Bahia, que atende as regiões Nordeste e parte do Sudeste.
Com a instalação no Estado, a Cobremack
pretende expandir seus negócios e facilitar o escoamento de seus produtos no
país e exterior. “Consideramos a logística do Estado e sua riqueza mineral
muito importante. Existem também grandes projetos aqui de processamento de
cobre e a gente entende que estrategicamente pode ser uma boa alternativa vir
para cá. Com uma unidade aqui no Estado, pretendemos abastecer todo o Norte do
país, Centro-oeste e o Mercosul”, destacou o CEO da Cobremack, José Carlos Matuiama.
O representante da empresa irá visitar
alguns municípios do Estado para avaliar a capacidade de investimento, entre
eles Barcarena. “Vamos conhecer o município, pois nossos processos precisam de
um porto e uma região industrial e entendemos que Barcarena pode ser uma boa
alternativa. Com a instalação, deveremos investir em torno de R$ 25 milhões em
toda estrutura”, informou. Hoje, a empresa produz 18 mil toneladas de cabos
isolados em uma cadeia produtiva verticalizada, e com a unidade que será instalada
no Estado esse número deve passar para 22 mil toneladas de fios e cabos
elétricos por ano, que atende desde residências até indústrias de grande porte.
O secretário de Estado de Desenvolvimento
Econômico, Mineração e Energia (Sedeme), Adnan Demachki, ressaltou o empenho do
governo no desenvolvimento da economia do Estado. “Há um esforço enorme do
Estado para intensificar a industrialização, pois isso gera centenas de
emprego. Esse tem sido um trabalho constante para que a gente possa atrair
novas indústrias em um momento difícil. Mesmo em um momento em que as empresas
pisaram no freio, estamos evoluindo”, disse Demachki.
Ao final do encontro, o governador Simão
Jatene reiterou a importância da política de atração de investidores para o
Estado. “Isso nos ajuda no que chamamos de verticalização da produção, em que
agregamos valor aos nossos produtos, aumentando a produção do emprego e renda.
Esse é o único caminho para reduzirmos a pobreza e a desigualdade. Fico feliz
em ver que quanto mais o país, e até mesmo outros países conhecem melhor a
Amazônia e o Pará, mais eles se sentem atraídos para investir. Ninguém aposta
onde não tem expectativa de bons resultados, então esse é um indicador
importante de confiabilidade. Fico feliz, mas faço questão de creditar isso a
todos os paraenses”, finalizou Jatene.
Fonte: AGPA.