A Gerência da Região Administrativa Marajó,
ligada ao Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado
do Pará (Ideflor-bio), dá continuidade nesta segunda-feira, 7, ao processo de
composição e formação do Conselho Gestor da Unidade de Conservação (UC) nos
doze municípios pertencentes à Área de Proteção Ambiental (APA) Arquipélago do
Marajó.
A primeira etapa foi realizada em novembro
do ano passado, com o objetivo de sensibilizar e mobilizar esses municípios,
ocasião em que houve a apresentação da equipe e uma aproximação com as
associações e entidades governamentais de cada localidade para o início dos
trabalhos de criação do Conselho Gestor.
Neste primeiro momento, a equipe do
Ideflor-bio fará uma reunião aberta ao público, no auditório da Escola Oscarina
Santos, em Salvaterra, com a presença de membros da Secretaria Municipal de
Meio Ambiente (Semma), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
(ICMBio), Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará
(Emater), Instituto Peabiru, Associação dos Pescadores Artesanais de Soure,
Associação dos Moradores do Pacoval (de Soure), Associação dos Remanescentes de
Quilombo de Bacabal (de Salvaterra) e Associações de Moradores.
Dando continuidade ao processo, nos dia 8,
9 e 10 a equipe se deslocará para os municípios de Soure, Cachoeira do Arari e
Santa Cruz do Arari, onde também serão realizadas reuniões preliminares de
apresentação. Posteriormente, a equipe visitará os municípios de Curralinho,
Breves, Anajás, Ponta de Pedra, Muaná, São Sebastião da Boa Vista, Afuá e
Chaves, que compõem a Unidade de Conservação.
De acordo com Maria Bentes, Gerente da
Região Administrativa do Marajó, a formação do Conselho Gestor é apontada no Sistema
Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) como essencial para a participação
popular na gestão da Unidade de Conservação. “Um conselho atuante pode
contribuir gerando demandas e atuando em conjunto na execução de ações dentro
da Unidade de Conservação. A formação de um conselho na APA Marajó é um grande
desafio diante da extensão territorial, afinal estamos no maior complexo
fluviomarinho do mundo, o que possibilita fazer a gestão sem a integração dos
diversos setores”, explicou.
Ainda segundo a gerente, as reuniões
municipais constituem a primeira estratégia de aproximação com as organizações
locais. “Estamos realizando ações paralelas. Fizemos no último domingo, 6, uma
vistoria na Reserva ecológica do Bacurizal e Lago Caraparu, em Salvaterra, com vistas
à orientação técnica para adequar a reserva a uma categoria do SNUC. Hoje
realizaremos uma oficina sobre o SNUC no município a fim de fornecer
informações técnicas pertinentes ao processo de criação e gestão de Unidade de
Conservação municipal.”
Com a criação do Conselho Gestor, amplia-se
o diálogo e a confiança entre o órgão gestor, comunidade local, órgãos públicos
e instituições da sociedade civil na medida em que os conselheiros têm acesso a
informações e compreendem as limitações e os desafios para gestão das Unidades;
aumenta-se a governança e o apoio político da Unidade de Conservação junto às
comunidades locais, setor privado, ONGs e instituições de pesquisa, entre
outros atores; amplia-se o conhecimento sobre a região e sobre o contexto político-institucional
em que estão inseridas as UCs por meio da contribuição técnica dos
conselheiros, e amplia-se o orçamento destinado às Unidades, pois entidades que
integram o conselho podem atrair recursos de doações para projetos de
fortalecimento da gestão, elaboração e implantação dos Planos de Manejo.
APA Marajó - A Área de Proteção Ambiental
do Arquipélago do Marajó é uma Unidade de Uso Sustentável, criada a partir do
Art. 13, § 2º, da Constituição do Estado do Pará de 1989. É considerada a maior
Unidade de Conservação na costa norte do Brasil, com 5.532.517,70 hectares. É
banhada pelas águas salgadas do Oceano Atlântico ao norte e pelas águas
fluviais da foz do Rio Pará e Tocantins ao sul, formando o maior complexo
fluviomarinho do mundo.
A APA Marajó abrange os municípios de Afuá,
Anajás, Breves, Cachoeira do Arari, Chaves, Curralinho, Muaná, Ponta de Pedras,
Salvaterra, Santa Cruz do Arari, São Sebastião da Boa Vista e Soure.
No interior do arquipélago estão inseridas
três Unidades de Conservação de uso sustentável: a Reserva Extrativista Mapuá,
no município de Breves; a Reserva Extrativista Marinha de Soure, no município
de Soure; a Reserva Extrativista Terra Grande-Pracuúba, nos municípios de
Curralinho e São Sebastião da Boa Vista, além de uma unidade de proteção
integral, o Parque Estadual Charapucu, em Afuá.
Conselho Gestor - Toda Unidade de
Conservação deve ter um conselho gestor, que tem como função auxiliar o chefe
de cada UC na sua gestão e integrá-la à população e às ações realizadas em seu
entorno. O Conselho deve ter a representação de órgãos públicos - tanto da área
ambiental como de áreas afins (pesquisa científica, educação, defesa nacional,
cultura, turismo, paisagem, arquitetura, arqueologia e povos indígenas e
assentamentos agrícolas) - e da sociedade civil (como a população residente e
do entorno, população tradicional, povos indígenas, trabalhadores e setor
privado atuantes na região), comunidade científica e organizações
não-governamentais com atuação comprovada na região.
Denise Silva
Instituto de Desenvolvimento Florestal e da
Biodiversidade do Estado Pará
Fonte: AGPA.