Os segurados do Instituto Nacional do
Seguro Social (INSS) poderão requerer auxílio-doença com exames feitos por
médicos do Sistema Único de Saúde (SUS), sem a necessidade de passar pela
análise dos peritos do instituto. A presidente Dilma Rousseff publicou nesta
terça-feira, 15, decreto que permite ao INSS celebrar convênios com órgãos e
entidades públicas do SUS para a realização de perícia médica, o que na prática
acaba com a exclusividade da avaliação dos profissionais do instituto.
No caso da prorrogação, bastará o
reconhecimento pelo INSS de atestados médicos trazidos pelos segurados,
inclusive de hospitais privados. A medida, segundo o Ministério do Trabalho e
Previdência, valerá para pedidos de prorrogação do benefício para empregados e
para aqueles que estiverem internados, sem condições de se deslocar a um posto
do INSS.
Ato dos Ministérios do Trabalho e da
Saúde vai regulamentar a cooperação entre o INSS e os órgãos do SUS e
estabelecer as cidades que serão atendidas, os médicos que serão designados e o
tipo de benefício abrangido.
O secretário nacional de Previdência,
Carlos Gabas, citou como exemplo os centros de referência em saúde do
trabalhador. Para ele, o fim da exclusividade da exigência de perícias feitas
por profissionais do INSS acabará com “contrassensos”, como exigir que peritos
se desloquem para hospitais para atestar a incapacidade de segurados
internados. A medida permitirá reduzir o tempo médio de espera para agendamento
- que saltou de 20 para 89 dias com a greve dos peritos, encerrada em janeiro -
para 10 a 15 dias.
A Associação Nacional dos Médicos
Peritos da Previdência Social (ANMP) vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal
(STF) contra a constitucionalidade da medida, que classifica como falsa
flexibilização. “Vai arrebentar com a Previdência Social nesse momento em que
são necessárias medidas para conter os gastos. O céu é o limite para a
concessão dos benefícios com essa facilitação”, disse Luiz Argôlo, diretor da
ANMP.
Ele criticou a prorrogação dos
benefícios por meio de atestados médicos e a transformação dos médicos
assistentes em peritos do próprio paciente, o que prejudica os julgamentos. A
entidade defende que o atestado informa a presença da doença, mas não tem o
poder legal nem formal de reconhecer a incapacidade para o trabalho, sem a
chancela de um perito médico.
Para Argôlo, é dramático quebrar o
sigilo médico ao fazer com que o segurado exponha a doença ao servidor do INSS
responsável por receber atestados. Disse ainda que a medida vai implodir a rede
de atendimento do SUS. Para acalmar a categoria, o ministro do Trabalho, Miguel
Rossetto, disse que o governo abrirá concurso público para o INSS neste ano.
Serão 7.351 vagas, sendo 1.530 para peritos.
Veja o que muda na perícia médica:
1. INSS poderá fazer convênios com
órgãos e entidades públicas do SUS para a realização de perícia médica.
2. Para prorrogar o auxílio, basta o
reconhecimento pelo INSS de atestados pelos segurados, que poderá ser de
instituições privadas.
3. Peritos não precisarão se deslocar
para hospitais para atestar a incapacidade de segurados internados.
4. A medida vai permitir reduzir o
tempo médio de espera para o agendamento, que saltou de 20 para 89 dias com a
greve dos peritos, terminada em janeiro, para o intervalo de 10 a 15 dias.
Fonte: Estadão