De acordo com a
Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), o brasileiro consome 9 quilos de peixe
por habitante ao ano. Já a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda o
consumo per capita de 12 kg de pescado/ano. Para estimular o consumo de pescado
na alimentação escolar, o projeto Peixe Brasil articula parcerias entre órgãos públicos
de educação, produtores e fornecedores relacionados à pesca. O Pará foi um dos
sete estado selecionados para receber o projeto, que inclui ainda a capacitação
de merendeiras da rede pública de educação para a manipulação e preparo
adequado de pescados na alimentação de estudantes, em especial de crianças e
adolescentes.
O projeto é fruto
da parceria entre o Conselho Nacional do Sesi, Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento (Mapa) e Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação
(FNDE), com o objetivo de inserir e estimular o consumo de pescado na merenda
escolar. No Pará, as cidades de Belém e Ananindeua serão beneficiadas. Para
Cleidiane Nogueira, 32, mãe da pequena Júlia, de 9 anos, estudante da rede pública
municipal da capital paraense, a iniciativa é muito positiva. “Na escola da
minha filha, a merenda é muito boa. Ela gosta muito. Acho que se aumentar a
oferta de peixe vai ser bom, porque é um alimento saudável e ainda vai ser mais
uma opção para diferenciar os pratos”, avaliou.
No dia 31 de
maio, houve um encontro entre gestores da Empresa de Assistência Técnica e
Extensão Rural do Estado do Pará (Emater), da Secretaria de Estado de Desenvolvimento
Agropecuário e de Pesca (Sedap), da Secretaria de Estado de Educação (Seduc),
da Secretaria Municipal de Educação de Belém (Semec), da Secretaria Municipal
de Educação de Ananindeua (Semed), da Fundação Municipal de Apoio ao Estudante
(FMAE) e do Programa Cozinha Brasil do Sesi Pará, para mapear as dificuldades
da entrada do pescado na alimentação escolar, com foco no peixe proveniente da
aquicultura e pesca artesanal. A reunião deu origem a um documento que será
encaminhado ao MAPA para subsidiar futuras estratégias de fomento à pesca com vistas
para o abastecimento de escolas públicas.
Além de oficinas
com nutricionistas e técnicos de alimentação escolar, as merendeiras das duas
cidades serão o público alvo da capacitação, a partir de agosto. “Daqui a dois
meses, o Peixe Brasil retornará ao Pará com uma equipe técnica que estabelecerá
os cursos de qualificação com as merendeiras. Temos uma meta mínima de
capacitar 220 merendeiras em novas práticas de preparações à base de pescado,
que têm caráter lúdico e respeitam as práticas regionais de consumo”, relata
Rodrigo Amaral.
Em 2012, o antigo
Ministério da Pesca e Aquicultura, atualmente incorporado ao Mapa, em parceria
com o FNDE, realizou uma pesquisa para saber de que forma era feita a inclusão
do pescado na alimentação escolar no Brasil. O estudo mostrou que o pescado
está presente na merenda escolar de apenas 34% dos municípios pesquisados. Dentre
as principais dificuldades apontadas para o uso do pescado na merenda escolar
estão a baixa aceitação ou falta de hábito das crianças, o risco de espinhas, a
dificuldade de encontrar fornecedores confiáveis, o custo elevado e a falta de
planejamento do cardápio.
AÇÕES
No caso do Pará,
as ações do Peixe Brasil serão voltadas para o aumento na oferta e melhora na
manipulação de peixe nas escolas de Belém e Ananindeua. Isso porque, mesmo com
dificuldades de fornecimento, custo e formas de preparo, as escolas de Belém e
Ananindeua costumam inserir pescado nos seus cardápios. “Em termos gerais, o peixe
é bem aceito pelas crianças, até pelo fato de o pescado ser uma vocação da
nossa região”, explica o nutricionista da FMAE, Jocelino Rodrigues.
Fonte: O Liberal.