O Instituto de
Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-bio),
realizou nesta terça-feira, 14, uma assembleia para formação do Conselho Gestor
da Área de Proteção Ambiental (APA) Marajó, que reuniu representantes de
municípios da região. O papel do Conselho Gestor de uma Unidade de Conservação
(UC) é contribuir para a proteção da área, acompanhando e propondo meios para o
seu funcionamento, de forma a garantir que as ações previstas no Plano de
Gestão sejam cumpridas.
O processo foi
aberto a instituições da sociedade civil, representantes comunitários,
proprietários de imóveis inseridos nas UCs, bem como a instituições
governamentais interessadas e que possuem relação com a gestão dessas áreas
protegidas. O mandato dos conselheiros gestores é de dois anos, contados da
data da posse, podendo ser renovado por igual período, mediante decisão do
próprio Conselho e o devido registro em ata de reunião.
Na ocasião foi
exposto como funciona o trabalho do Ideflor-bio, o que são e o processo de
criação das Unidades de Conservação desde 1989, a importância da formação dos
conselhos gestores, além de apresentação das considerações finais pelo
Colegiado de Desenvolvimento Territorial do Marajó (Codetem). Os presentes
também puderam discutir idéias, ouvir opiniões, fazer críticas e tirar dúvidas
sobre o trabalho realizado pelo conselho, além de acessar os resultados das
reuniões realizadas nos municípios onde foram indicados os membros do conselho
gestor da APA.
De acordo com
Wendell Andrade, diretor de Gestão e Monitoramento de Unidades de Conservação
da Natureza do Ideflor-bio, este momento é crucial para finalizar o trabalho de
sensibilização que vem sendo feito ao longo dos últimos meses.” Temos total
ciência de que a condução de uma unidade de conservação não pode ser realizada
sem a participação da sociedade civil e do poder público, que é quem vivencia
tudo isso diretamente”, disse.
Segundo Maria
Bentes, gerente da Região Administrativa do Marajó do Ideflor-bio, o conselho
gestor deve identificar os problemas da unidade de conservação e propor a
melhor maneira de resolvê-los. “O que se ganha é a participação como cidadão
nas questões ambientais e sociais das áreas consideradas de relevante
interesse.”, explicou.
Durante a
assembleia também foram estabelecidos alguns encaminhamentos como a adequação
de limites físicos da APA Marajó, superando o problema de escala que o
macrozoneamento gerou; a elaboração de um anteprojeto de lei para regulamentar
o Art. 13 da Constituição; a realização de audiência com deputados estaduais e
comissões da Assembleia Legislativa do Estado do Pará; a preparação de um
normativo de formação e composição do Conselho Gestor, instituindo
representantes dos 16 municípios da região de integração do Marajó, além da
preparação uma cartilha oficial de ações institucionais no território
Marajoara.
Ao final da
reunião foi formado um grupo de trabalho composto por 10 pessoas com o objetivo
de mobilizar e acompanhar a execução desses encaminhamentos, além de compor a
expedição que visitará mais quatro municípios restantes da região do Marajó.
Entre os escolhidos, estão membros do Ideflor-bio, Instituto Peabiru, Associação
dos Municípios do Arquipélago do Marajó (Amam), Federação dos Trabalhadores e
Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Pará (Fetagri), Colegiado de
Desenvolvimento Territorial do Marajó (Codetem), Ministério Público Estadual,
Secretaria Municipal de Meio Ambiente/Soure e Secretaria Municipal de Meio
Ambiente/Muaná.
O indicativo é de
que o Conselho Gestor seja formado no dia 23 de agosto, em nova assembleia a
ser realizada após a inclusão dos demais municípios da porção continental da
chamada Região de Integração do Marajó, além dos 12 municípios insulares já
visitados pela equipe do Instituto.
Sensibilização
A equipe do
Ideflor-bio iniciou o trabalho de sensibilização junto aos municípios
marajoaras em novembro do ano passado, finalizando em maio deste ano. Neste
período foram visitados os municípios de Afuá, Anajás, Breves, Cachoeira do
Arari, Chaves, Curralinho, Muaná, Ponta de Pedras, Salvaterra, Santa Cruz do
Arari, São Sebastião da Boa Vista e Soure, para mobilização, apresentação da
equipe e a aproximação com as associações e entidades governamentais de cada
área para o início dos trabalhos de criação do Conselho Gestor. Durante as
visitas foram credenciadas as instituições para compor o conselho, por meio de
métodos democráticos, levando em conta a paridade, representatividade, equidade
na participação e potencial em contribuir com os objetivos da Unidade de
Conservação.
Fonte: AGPA.