Diferente de
outras regiões do Brasil, a cuia tem um significado muito mais que somente
utilitário em nossa região. Está diretamente relacionada com a cultura e
história. No Marajó, o traçado nasce da cerâmica. É a partir dele que serão
estudadas e trabalhadas as cuias que serão foco da oficina oferecida que será
realizada no mais novo lugar alternativo e cultural da cidade, o Espaço Sinhá
Pureza, que abrirá suas portas para esta e outras oficinas.
A palavra Cuia
vem do termo ku’ya (Tupi) kuya e’tê, que significa “cuia verdadeira”, nome dado
ao fruto da cuieira. Amplamente utilizada em todo o Brasil e com diversas
finalidades, dentro da cultura do Pará desenvolveu certa peculiaridade, para
além de sua utilização pelos índios. A oficina inicia pelo processo de
reconhecimento destas histórias contidas nos desenhos pelo participante. A
partir daí, inicia-se uma avaliação do potencial de desenho escolhido, seguindo
de exercício do traçado marajoara. Somente depois disso, o participante terá
contato com a cuia e será apresentado à técnica para o traçado, desenhando na
superfície a lápis e em seguida utilizando ferramenta, também artesanal, para
executar o grafismo.
Cria do Curro
Velho, onde foi aluna do professor Marcos Antônio, o Markovisk, a ministrante
Silvia Mendonça é uma pesquisadora apaixonada. Conta com apresentações
informais de suas peças em Paris, São Paulo e recentemente no Rio de Janeiro.
Formulou a oficina na intenção de partilhar a técnica e conhecimento adquirido,
permitindo assim repassar a história do povo marajoara, ainda restrita a
poucos.
Os participantes
ficam com que é produzido na oficina e entre os trabalhos realizados serão
selecionados o melhor para compor uma exposição que ficará aberta ao público
durante 15 dias no espaço onde acontecerá a oficina.
Fonte: O Liberal.