A II Chamada da Floresta, realizada nos
dias 28 e 29 às margens do rio Laguna, comunidade do Tonhão, no município de
Melgaço, no Marajó, reuniu cerca de 2 mil extrativistas dos Estados do Pará, Amazonas
e Amapá, para discutir e apresentar propostas ao Plano de Fortalecimento do
Extrativismo e definir a comissão de extrativistas que vai à Brasília em
dezembro para reunião com a presidente Dilma Roussef.
O encontro reuniu os ministros Pepe Vargas,
do Desenvolvimento Agrário, Tereza Campello, de Desenvolvimento Social, Isabela
Teixeira, do Meio Ambiente, Diogo Santana, da Casa Civil da
Presidência da República, Carlos Guedes,
presidente do INCRA, diretores e assessores do Governo Federal. Eles pousaram
de helicóptero na reserva extrativista, exatamente ao meio dia da quinta-feira dia
29, e foram recebidos por prefeitos do Marajó, secretários de estado,
deputados, vereadores, lideranças políticas e do Conselho Nacional dos Povos
Extrativistas, organizador do evento. Em meio a um sol escaldante, as
autoridades foram para um palco improvisado no meio da mata, que foi limpa dias
antes com um trator de esteira, abrindo enorme clareira.
Sob os ouvidos atentos dos ministros,
representantes das Reservas Extrativistas (Resex), desfiaram um rosário de
reivindicações cobrando mais investimentos e a presença concreta do Estado com políticas
sociais como construção de 60 mil casas em resex da Amazônia, navios hospitais
para a atender os extrativistas de toda a região, criação de floresta modelo e
um centro nacional de manejo florestal, em Belterra, a fim de desenvolver novos
projetos com tecnologia de ponta. Eles reivindicam também a legalização das
terras das resex, implantação de plano de manejo e sustentabilidade em todas as
regiões com acompanhamento técnico, ampliação do sistema educacional com currículo
e modelo adaptados para a realidade da região, combate à pirataria e
transformar o açai em commodities de forma a desenvolver o plantio e a
comercialização. O documento recomenda ainda a inclusão social de ribeirinhos,
quilombolas, pescadores artesanais, pequenos produtores rurais e demais entes
que façam parte desse universo.

A presidente da Associação dos Municípios
do Arquipélago do Marajó, Consuelo Castro, leu uma carta endereçada à
presidente Dilma, cuja presença no evento foi ventilada mas não se confirmou,
para que o Governo Federal invista na retomada da extração de seringa e do
açai, como forma de gerar emprego, renda e consumo. Ele sugere um projeto
inteligente e ágil para aproveitar 15 milhões de seringueiras adultas e 380
milhões de pés de açai, riqueza imensa da região, destacou a prefeita. Os
ministros presentes falaram por último e anunciaram investimentos de um bilhão
de reais em programas como assistência técnica e extensão rural, manejo florestal,
regularização de áreas, investimentos na Conab para aquisição de merenda
escolar de produtos extraídos da floresta, apoio ao ICMBio, com destaque à
figura de Chico Mendes, muitas vezes citado pelos oradores.
Autoridades presentes: presidente da Amam,
Consuelo Castro e o secretário executivo, Pedro Barbosa; prefeito de Breves,
Xarão leão, de Portel, Paulo Ferreira, de Curralinho Leo Arruda, Vivaldo
Mendes, de Anajás, de Melgaço, Adiel Moura, de Gurupá, Raimundo Nogueira, secretários
de Estado: Sidney Rosas, Alex Fiuza de Mello, Heitor Pinheiro; os deputados
Cláudio Puty e Airton Faleiro, ambos do PT, dentre outras.
Texto: Pedro Medina