Professores e
pesquisadores da UFPA, Instituto Evandro Chagas IFPA e Hemopa apresentaram a
conclusão da pesquisa realizada no Marajó nas áreas de saneamento,
comprometimento das águas, doenças contagiosas, zoonoses. Desnutrição e
obesidade, dentre outras.
A pesquisa foi
realizada nos municípios de Anajás, Portel, São Sebastião da Boa Vista e Chaves
e apontou números preocupantes com relação à saúde da população e até mesmo dos
peixes que servem de alimento para os ribeirinhos.
O relatório
destaca a má qualidade da água consumida nos municípios pesquisados: a grande
maioria das análises em laboratório constatou a presença de doenças de
veiculação hídrica além de coliformes fecais e de água totalmente imprópria
para o consumo. Essa é a razão para tantas doenças gastrointestinais
registradas no arquipélago, algumas das vezes, fatais. A maioria da população
se serve basicamente de poços, igarapés e rios, não filtra nem ferve a água e
tampouco a trata com produtos químicos.
Boa parte das
mulheres atendidas estão sujeitas a desenvolver câncer cervical detectado pelo
teste Papa Nicolau. Outro tanto está sujeita ao HPV, doença sexualmente
transmissível.
Diferente do que se
pensa, o Marajó não apresenta quadro de desnutrição em sua população, pelo
contrário. Cerca de metade da população é obesa, tem índices altos de
triglicerídeos, colesterol e diabetes, consome muito açaí, farinha, pão,
frango, peixe e carne.
A poluição das águas dos
rios já compromete o pescado consumido pela população. Uma pesquisa de biomonitoramento
feita como sangue extraído do rabo de uma pescada branca mostrou que ela sofreu
alteração genética causada por poluição como corte de madeira, óleo diesel ou
produtos químicos de pequenas indústrias lançados na água. Mas esses estudos
precisam de análises mais aprofundadas.
Mas o grande vilão
nas cidades é o cão de rua e até os de casa. A maioria dos cães analisados tem
filariose, uma doença do coração que se espalha pelo corpo, tem leishmaniose
incurável. as fezes analisadas estão todas contaminadas e todas essas doenças
são transmissíveis para os seres humanos. E o mais interessante. Os cães vivem
meio na rua, meio em casa, conforme a necessidade de se alimentar, o que
aumenta o perigo para as famílias.
Essa pesquisa foi
apresentada aos secretários de saúde dos municípios pesquisados na sede da Amam
e foi encomendada pelo Governo do Estado, para servir de parâmetro a projetos e
programas sociais que venham amelhorar a qualidade de vida da população.
Texto:
Pedro Medina