NOTÍCIAS
18/02/2014
Variados
ESTUDO DA UFPA MOSTRA AS CARÊNCIAS DO MARAJÓ.
 

 

Professores e pesquisadores da UFPA, Instituto Evandro Chagas IFPA e Hemopa apresentaram a conclusão da pesquisa realizada no Marajó nas áreas de saneamento, comprometimento das águas, doenças contagiosas, zoonoses. Desnutrição e obesidade, dentre outras.

 A pesquisa foi realizada nos municípios de Anajás, Portel, São Sebastião da Boa Vista e Chaves e apontou números preocupantes com relação à saúde da população e até mesmo dos peixes que servem de alimento para os ribeirinhos.

 O relatório destaca a má qualidade da água consumida nos municípios pesquisados: a grande maioria das análises em laboratório constatou a presença de doenças de veiculação hídrica além de coliformes fecais e de água totalmente imprópria para o consumo. Essa é a razão para tantas doenças gastrointestinais registradas no arquipélago, algumas das vezes, fatais. A maioria da população se serve basicamente de poços, igarapés e rios, não filtra nem ferve a água e tampouco a trata com produtos químicos.

 Boa parte das mulheres atendidas estão sujeitas a desenvolver câncer cervical detectado pelo teste Papa Nicolau. Outro tanto está sujeita ao HPV, doença sexualmente transmissível.

Diferente do que se pensa, o Marajó não apresenta quadro de desnutrição em sua população, pelo contrário. Cerca de metade da população é obesa, tem índices altos de triglicerídeos, colesterol e diabetes, consome muito açaí, farinha, pão, frango, peixe e carne.

A poluição das águas dos rios já compromete o pescado consumido pela população. Uma pesquisa de biomonitoramento feita como sangue extraído do rabo de uma pescada branca mostrou que ela sofreu alteração genética causada por poluição como corte de madeira, óleo diesel ou produtos químicos de pequenas indústrias lançados na água. Mas esses estudos precisam de análises mais aprofundadas.

 Mas o grande vilão nas cidades é o cão de rua e até os de casa. A maioria dos cães analisados tem filariose, uma doença do coração que se espalha pelo corpo, tem leishmaniose incurável. as fezes analisadas estão todas contaminadas e todas essas doenças são transmissíveis para os seres humanos. E o mais interessante. Os cães vivem meio na rua, meio em casa, conforme a necessidade de se alimentar, o que aumenta o perigo para as famílias.

 Essa pesquisa foi apresentada aos secretários de saúde dos municípios pesquisados na sede da Amam e foi encomendada pelo Governo do Estado, para servir de parâmetro a projetos e programas sociais que venham amelhorar a qualidade de vida da população.

 Texto: Pedro Medina

 

 
  
 
« Voltar
 
 
Associação dos Municípios do Arquipélago do Marajó
End: Travessa 3 de maio, 2389
Cremação - Telefone: (91) 3213-8000