Um encontro com empresários do setor de
gastronomia marcou a abertura de um canal de negociação direta do queijo do
Marajó entre produtores e donos de restaurantes da capital, nesta quinta-feira,
27, com a presença do secretário estadual de Agricultura, Andrei Gustavo
Castro, e do superintendente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas
Empresas, Vilson Schubert.
A iniciativa da Secretaria de Agricultura do
Estado (Sagri) e Sebrae/PA é mais um passo importante na inserção do produto no
mercado de forma legal e organizada, cujo processo foi iniciado em 2012, com a
lei estadual que regula a comercialização da produção artesanal.
O encontro foi realizado no restaurante Família
Sicília e contou com a degustação dos queijos de sabores e texturas diferentes,
de acordo com o modo de fazer de cada queijaria. Essa peculiaridade do queijo
marajoara permite a criação de pratos diversos. O tipo creme, por exemplo, de
textura mais macia, vai entrar na receita de um ravioli criado pelo chef Fabio
Sicília, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes
(Abrasel/PA).
Nazareno Alves, do Point do Açaí, prefere
vender o queijo na prateleira, pois é muito apreciado pelos turistas que
frequentam o restaurante. “O queijo marajoara também vai entrar na receita de
pratos salgados e sobremesas, pois agora vai dar para manter no cardápio
regularmente”, informou o empresário.
Participaram da negociação os quatro
produtores certificados para comercializar dentro do Estado. Outros quatro que
ainda estão se adaptando às exigências da lei só acompanharam a discussão. A
legalização das queijarias é importante para a conquista de novos mercados e para
garantir a indicação geográfica do produto, pois o queijo está sendo produzido
em outras regiões do Estado e vendido com a denominação do Marajó sem a
qualidade do original.
O produtor Carlos Augusto Gouvêa, da fazenda
Mironga, em Soure, informou que a família já está na terceira geração
produzindo queijo, mas 80% da produção ainda são vendidos dentro do Marajó. ”Já
temos o selo de qualidade para comercializar em todo o Estado, mas a nossa meta
é o mercado nacional e para isso investimos sempre na qualidade do produto”,
informou.
O secretário Andrei Gustavo Castro foi o
responsável pela entrega ao Ministério da Agricultura, em Brasília, no ano
passado, do Protocolo de Produção do Queijo do Marajó, quando era o
superintendente regional do órgão em Belém. Agora, como secretário estadual,
vai lutar pela aprovação do documento que garante o certificado de origem do
produto e a comercialização em todo o país. “Esse encontro motiva o produtor a
se enquadrar na legislação para competir nesse novo mercado”, disse o
secretário.
O superintendente do Sebrae/PA, Vilson
Schubert, ratificou a necessidade dos produtores se adequarem às mudanças do
mercado e garantirem a proteção do queijo do Marajó. “O queijo é produzido
pelas famílias há quase dois séculos, portanto, esse trabalho é um resgate da
cultura marajoara”, afirmou Schubert.
O diretor da Agência de Defesa Agropecuária
do Pará (Adepará), Sávio Freire, informou que a partir de março as
fiscalizações serão intensificadas para forçar o produtor a se legalizar. “O
queijo do Marajó dá o passo inicial para a legalização de toda a produção
artesanal do Pará, como é o caso do camarão regional, da água de coco e do
caranguejo, que já têm publicada a portaria de padronização”.
Fonte:AGPA.