O Projeto Vida Digna Itinerante, da
Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), executou sua 3ª edição, neste
fim de semana no Marajó, com médicos veterinários e alunos atendendo cerca de
150 animais, com procedimentos clínicos diversos. Uma das ações foi à castração
gratuita que busca reduzir a superpopulação e o abandono dos bichos nas ruas, o
que já é, segundo os pesquisadores, um problema de saúde pública. “Considerando
que uma cadela fica no cio de 6 em 6 meses, e que em cada gestação ela pode
gerar em torno de três a cinco filhotes, é possível ter uma dimensão da
quantidade de animais que futuramente irão parar nas ruas. Com mais animais
abandonados nas ruas, aumentam o número de zoonoses, que são as doenças
transmitidas aos homens pelos animais”, diz a coordenadora do projeto,
professora Nazaré Fonseca de Souza (ISPA/Ufra). As ações gratuitas de
atendimentos clínicos, vermifugação, aplicação de medicamentos e orientação aos
proprietários, ocorreram de sexta, 13, até ontem. O foco eram os animais que têm
donos por causa da dificuldade de capturar os bichos soltos nas ruas. Para
acessar, o proprietário tinha de apresentar a carteira de identidade e assinar
um termo de responsabilidade (TCLE). Nazaré Fonseca de Souza afirma que é
necessário desmistificar o medo sobre a castração, procedimento que traz vários
benefícios, entre eles, a redução de infecções e riscos de doenças nas vias
uterinas, câncer de mama, útero, próstata e testículos. “Nosso trabalho é
preventivo, e de longo prazo, ainda não existe um censo animal no Pará, apenas os
dados fornecidos através das campanhas de vacinação contra raiva. Por isso
durante nossas atividades itinerantes, nós também buscamos coletar dados e
realizar um perfil socioeconômico da população, o que pode embasar mais
pesquisas e trabalhos acadêmicos nesse sentido”, disse. Esta já é a terceira
caravana itinerante a Soure. A meta é atingir todos os municípios do Marajó. O Projeto
Vida Digna Itinerante acaba de receber um convite de gestores municipais do Rio
Grande do Sul. “Eles souberam da castração por meio do site da Ufra e ligaram
para o hospital para me questionar sobre os efeitos e validade do método,
explicando que estavam com a intenção de fazer uma ação de controle de
população em seu município. Quando nós dissemos que estávamos com um projeto
semelhante no Marajó, houve a proposta de ir ao local e fazer uma explanação
para os veterinários e para os secretários de saúde sobre a nossa metodologia,
contou a médica veterinária Marildelzira Betânia David. A ação vai ocorrer em
agosto, nos municípios de Selbach, Tapera e Espumoso. A meta é castrar aproximadamente
100 animais em cada município. Segundo a médica, esses municípios não têm
abrigo público, nem verbas para a manutenção desse espaço. As cidades estão à
margem de rodovias e os animais costumam provocar acidentes de trânsito. O
projeto iniciado na Ufra tem competência para ser reconhecido como solução para
um problema de saúde pública. Ele é capaz de prevenir a disseminação de
zoonoses e evitar atitudes drásticas e cruéis para conter a multiplicação dos animais,
frisa a médica veterinária. O método de castração química em caninos machos
integra pesquisa de mestrado da médica veterinária Maridelzira Betânia Moraes
David (Hovet/Ufra). Durante três anos ela avaliou 45 animais. E a partir de um
medicamento já existente, chegou à dose necessária que evita a reaplicação. O
resultado é que uma vez feita a castração química, que consiste em uma injeção
nos testículos do cão, o animal fica infértil. A vantagem, diz a pesquisadora, é
que o cão não apresenta mudança comportamental, apenas deixa de ser um
reprodutor. Já a castração cirúrgica em fêmeas trabalha com a técnica desenvolvida
pelo médico veterinário Luis Fernando Moraes Moreira (Hovet/Ufra). O
procedimento é menos invasivo ao organismo do animal, possui menor tempo
cirúrgico (aproximadamente dez minutos), dispensa o uso de antibióticos e
apresenta uma menor exposição dos órgãos abdominais dos animais, o que reduz o
risco de contaminação.
Fonte:OLiberal |