FLORESTA
O Serviço Florestal
Brasileiro (SFB) realizou ontem a primeira de uma série de cinco audiências
públicas para apresentar a proposta de edital para a concessão de unidades de
manejo da Floresta Nacional (Flona) de Caxiuanã, a 400 quilômetros de Belém,
entre os rios Xingu e Anapu. A unidade de conservação possui área total de mais
de 322,869 mil hectares e engloba os municípios de Portel e Melgaço. A audiência
ocorreu na sede da Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Pará (Sema), na
travessa Lomas Valentina, e reuniu cerca de 80 participantes, entre
pesquisadores, empresários e público em geral. A área potencial para exploração
madeireira na Flona de Caxiuanã é de 183,695 mil hectares, o que corresponde a 56%
da floresta. Após as audiências, o SFB recolherá todas as sugestões e
reclamações dos encontros para inserir mudanças no edital final, cuja previsão
de publicação é daqui a três meses.
O gerente de concessão ambiental
do SFB, Luiz Cesar Lima, explicou as regras que as empresas ou consórcios
deverão obedecer para ter uma das concessões. Em acordo com o Plano de Outorga
Florestal 2014, a área para a concessão será dividida em três unidades de manejo florestal (UMF) de 39.987 hectares (UMF I), 87.559 hectares
(UMF II) e 53.287 hectares (UMFI III). As
empresas vencedoras do processo de licitação poderão fazer o manejo florestal sustentável nas
áreas por até 40 anos. Dentre os
benefícios da exploração estão o combate à
grilagem de terras públicas, à violência no campo, ao desmatamento
em terras públicas, geração de benefícios
para a sociedade e conservação das florestas.
“Essa concessão é realizada por licitação. A escolha tem como base critérios
técnicos e econômicos, e isso existe para que o poder concedente, no caso a União,
decida quem melhor vai manejar aquela floresta. Além disso, é bom destacar que
é bom respeitar o edital de licitação”, argumentou.
Ele esclareceu ainda que a concessão não dá
direito para explorar indiscriminadamente a área, mas somente os produtos que
estão delimitados na legislação e no edital. “O concessionário não é dono do pedaço de
terra, é bom que se deixe claro. O concessionário não
tem direito por meio da concessão de explorar o uso do subsolo. Neste caso,
deve buscar ouso nos órgãos competentes. Outro ponto importante, é que também
não dá direito sobre abio diversidade”, explicou.
O pesquisador do Museu Paraense Emílio Goeldi
(MPEG), Leandro Vale Ferreira, sugeriu que dentre os bonificadores deveria
constar uma parceria entre o grupo que irá explorar a área e instituições de
pesquisa como o Museu Goeldi, que estuda as alterações na floresta com as
intervenções de baixo impacto. “Isso poderia ajudar nas ações de pesquisa sobre
o manejo florestal, ter uma bonificação para as empresas que deixem que se
realizem essa pesquisa antes das intervenções”.
IMPACTOS
“Faltam dados para delimitar quais são os
impactos dessas intervenções”, explicou. O diretor-geral substituto do SFB,
Marcus Vinicius Alves, concordou com o pesquisador. “Esses indicadores não
estão presentes, mas acho muito apropriado que eles estejam. É para isso que
nós estamos fazendo essas audiências. Todas essas sugestões serão levadas para
a nossa área técnica”, respondeu.
No edital que será lançado, o preço mínimo
estabelecido para o pagamento pela madeira extraída será de R$ 75por metro
cúbico. Além das propostas de preço, as empresas também serão avaliadas pelas
propostas técnicas, que incluem critérios ambientais e sociais. Parte dos
recursos arrecadados pela concessão será destinada ao Serviço Florestal Brasileiro
(30%) e o restante (70%) será dividido entre o Estado do Pará (20%), os municípios
de Portel e Melgaço(20%), o Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal (20%)e
o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade(40%), órgão gestor da
unidade. A realização das audiências públicas está prevista na Lei de Gestão de
Florestas Públicas e tem como objetivo dar publicidade ao processo, esclarecer possíveis
dúvidas e ouvir da população sugestões para o aperfeiçoamento do documento.
As próximas audiências públicas irão ocorrem
em Breves, amanhã, das 9 às 12h, no Pólo do Centro de Desenvolvimento e Educação
Profissional (Cedep) da Universidade Aberta do Brasil, na Av. Rio Branco,1751,
no bairro do Aeroporto. Em Melgaço, amanhã, das 16às 19h, no Spazzio Show, na Rua
7 de setembro, 309, no Centro. Em Portel, dia 14 de agosto (quinta-feira), das
9 às12h, no Auditório da Secretariado Trabalho e Assistência Social (Setras),
na Rua Governador Magalhães Barata, 366,no Centro. Em Porto de Moz, dia 18 de
agosto (segunda-feira),das 9 às 12h, na Casa de Cultura, na Rua da República, s/n,
no Centro, ao lado do Hospital Municipal.
Fonte: OLiberal.