A bordo do Navio-Auxiliar “Pará”, 19
universitários e três professores participantes do Projeto Rondon navegarão
pelos rios e furos do Arquipélago do Marajó para atender comunidades
ribeirinhas e carentes, com o apoio do Comando do 4º Distrito Naval. Os
rondonistas, como são chamados os integrantes da ação, embarcaram ontem na Base
Naval de Val-de-Cans e retornam somente no dia 28. Eles visitarão os municípios
de Breves, Portel e Melgaço, incluindo as comunidades próximas, para prestar serviços
médicos e odontológicos.
A Marinha do Brasil atuará, também, no combate
ao escalpelamento, que ainda é uma ocorrência frequente na região. As
embarcações que estiverem com partes dos motores descobertos receberão as
coberturas de eixo, visando evitar o acidente. A expectativa é de alcançar pelo
menos 1.500 pessoas, tanto nos atendimentos a bordo quanto nos atendimentos
itinerantes, que serão feitos com a lancha “Tucunaré”. O projeto conta com o
reforço de 23 profissionais de saúde do Hospital Naval de Belém, informou o
comandante do navio, o capitão de corveta Thiago Montilla.
“Temos um mamógrafo disponível para exames e a
rotina de atendimento será diária, entre 8h e 18h. O navio oferece uma boa
estrutura, com capacidade de acomodar até 218 pessoas. Permaneceremos em Breves
até o dia 23, alcançando também os habitantes de localidades como Antônio Lemos
e Vila Canaã”, afirmou. Seguindo o cronograma, a equipe estará em Portel e
comunidades próximas entre os dias 24 e 26. No dia 27, será a vez do município
de Melgaço.
A estudante de Medicina Ana Carolina Gomes, 24,
é de São José do Rio Preto (SP) e está no último ano do curso. Ela se emocionou
ao falar sobre o que a motiva a participar pela segunda vez de uma expedição do
Projeto Rondon. “É paixão mesmo. A gente aprende muito mais do que consegue
dar. A gente acha que vai só ajudar, mas ganha muito mais em troca”, avaliou.
Em janeiro de 2013, ela foi ao interior da Bahia para atender comunidades
carentes, mas agora acredita que a experiência será diferente. “Dessa vez estou
mais madura e o enfoque é diferente. Em vez de ser muito social, esta expedição
é mais assistencial mesmo. Além disso, é uma boa oportunidade de conhecer a
realidade dessa população, distante dos grandes centros urbanos”, completou.
O professor Paulo Pereira, da Universidade
Severino Sombra, em Vassouras (RJ), destacou a importância desse contato com as
populações carentes. “Eles são apresentados a um Brasil que muitos não
conhecem. São formandos, que já possuem habilidade para atendimento. Isso
promove a cidadania e a responsabilidade social, além de ser fundamental para a
formação profissional”, frisou. Os alunos são de sete estados das regiões Sul,
Sudeste e Centro-Oeste. Além dos concluintes de Medicina, também participam
alunos de Enfermagem, Odontologia, Farmácia e Fisioterapia.
INSPIRAÇÃO
O Projeto Rondon foi criado ainda na década de
70, durante o regime militar, inspirado no trabalho do humanista Marechal
Cândido da Silva Rondon e é uma iniciativa do governo federal, coordenado pelo
Ministério da Defesa, em parceria com outros Ministérios e com a Secretaria-Geral
da Presidência da República. O objetivo é contribuir para o desenvolvimento sustentável
e aumentar o bem estar das comunidades dos municípios mais isolados e carentes
do Brasil.
Fonte: OLiberal.