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01/02/2015
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PREFEITURAS DO MARAJÓ ESTÃO À MÍNGUA E PEDEM SOCORRO
 

SEM VERBAS Municípios já se declararam em emergência ou calamidade.

Onze municípios do arquipélago do Marajó declararam situação de emergência e estado de calamidade pública, em razão das retenções, bloqueios, supressões e longos atrasos em repasses financeiros da União e do Estado, que constitucionalmente pertencem aos municípios. A lista é liderada pela Associação dos Municípios do Arquipélago do Marajó (Amam).

O Marajó continua a ter um dos menores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil, e as prefeituras ainda são as maiores fontes de renda e de empregos. No entanto, como esses municípios sobrevivem dos repasses de recursos federais e estaduais, atravessam, desde setembro do ano passado, situação de caos, por conta dos cortes financeiros, a exemplo dos 10% cortados do Fundeb, quando, na contramão, ocorreu um aumento de 13% nos salários dos professores.

A prefeita de Ponta de Pedras e presidente da Associação dos Municípios do Marajó (Amam), Consuelo Maria da Silva Castro, destaca que esses municípios não têm condições de criar fontes de arrecadação. A própria União determina a transformação de grandes extensões de terras em áreas de proteção ambiental, o que inviabiliza quaisquer tipos de explorações econômicas da floresta pelos proprietários. A consequência dessas medidas é a diminuição da arrecadação dos municípios.

No caso de Ponta de Pedras, há ainda a questão do calote do Refis pelo Governo Federal, na negociação de dívidas que os municípios não têm condições de pagar. A administração de Consuelo Castro vem sendo submetida “constantes e deprimentes bloqueios do FPM e do Fundeb, acarretando constrangimentos irreparáveis ao município”, reclama. De acordo com a prefeita, em 2014, Ponta de Pedras e os demais municípios marajoaras receberam menos recursos do que em 2013 e não há como compensar estas perdas.

A situação piorou em dezembro, pois, quando do pagamento do 13º salário, as prefeituras tiveram de pagar no prazo legal, junto com os salários, obedecendo à Lei de Responsabilidade Fiscal, mesmo sem ter qualquer receita. O resultado negativo, reforça a prefeita, recai sobre a administração e sobre a população, pois não há moeda circulando, o comércio sofre queda nas vendas, os fornecedores ficam sem receber e, sem isso, também não têm como saldar suas dívidas, que vão aumentando.

Desta forma, com o decreto ora assinado, os municípios de Afuá, Anajás, Breves, Cachoeira do Arari, Chaves, Curralinho, Gurupá, Melgaço, Muaná, Ponta de Pedras e Salvaterra ganham três meses para buscar o equilíbrio das contas, cortando gastos, especialmente com corte de funcionários temporários, diminuição de obras e investimentos, enquanto pagam as dívidas junto a fornecedores, principalmente de combustíveis, que movimentam o transporte escolar, ambulâncias e veículos oficiais.

Ainda segundo a prefeita Consuelo Castro, com os atrasos, estão praticamente suspensos, ou funcionando em estado precário, programas de saúde e de educação. Até mesmo o Programa Mais Médico não tem como avançar, em função da falta de medicamentos.

Prefeito de Muaná, Murilo Guimarães acrescenta que em seu município, o maior problema é em relação aos combustíveis. Os gastos chegam a R$300 mil só com o transporte escolar, no entanto, as verbas para combustíveis via Fundeb são da ordem de R$ 125 mil. São 180 embarcações alugadas para o transporte escolar.

Outro problema, diz o prefeito, é a merenda escolar. “Um ovo custa quase R$ 0,50, no entanto, são liberados apenas R$ 0,30 para a merenda diária de cada criança”. De acordo com Murilo Guimarães, uma professora, que também exerce a função de diretora de escola de uma comunidade distante, anda cerca de oito horas sobre um búfalo ou uma carroça, mais oito horas de barco, para chegar à cidade, pegar a merenda escolar e fazer a mesma viagem de volta.

Os municípios marajoaras filiados à Aman recorrerão ao Ministério Público Federal para exigir que o governo federal esclareça sobre os cortes de verbas que estão prejudicando as administrações municipais. O outro ponto em discussão, em conjunto com todos os prefeitos, por meio da Amam, é a demanda judicial contra a União, com objetivo de imediato ressarcimento dos valores indevidamente retidos do FPM, devido à concessão de isenções de IPI e Imposto de Renda; imediato repasse dos valores correspondentes à Compensação Ambiental devidos pela implantação de áreas de Proteção Ambiental nos municípios; suspensão imediata de quaisquer bloqueios do FPM; pagamento imediato das parcelas atrasadas do “Pabinho” pela Sespa; e renegociação em termos realistas dos débitos municipais frente ao Regime Geral da Previdência e ao Pasep.

Além da prefeita Consuelo Castro, assinaram os decretos os prefeitos Xarão Leão, de Breves; Murilo Guimarães, de Muaná; Paulo Ferreira, de Portel; Valentim Oliveira, de Salvaterra; Raimundo Nogueira, de Gurupá; Leo Arruda, de Curralinho; Cledson Rodrigues, de Bagre; Solange Lobato, de Chaves; Benedito Vasconcelos, de Cachoeira do Arari; Getúlio Brabo, de São Sebastião da Boa Vista; Marcelo Pamplona, de Santa Cruz do Arari; Adiel Moura, de Melgaço; e Vivaldo Mendes, de Anajás.

Fonte: O Liberal.

Texto: Roberto Barbosa

Data: 01/02/2015

Ascom/AMAM
 
  
 
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