A maré alta vai chegar a 3,7 metros, em
Belém, durante a madrugada dos dias 20, 22 e 23 de março, entre as 23h50 e
01h23. Entre os dias 20 e 22, o nível vai ficar em 3,6m no final da manhã,
entre as 11h23 e as 12h47, de acordo com as previsões do Centro de Hidrografia
da Marinha. A maré já começa a subir significativamente nos dias 18 e 19,
quando vai atingir 3,5m, o que já é o suficiente para encher as ruas próximas
ao Ver-o-Peso e do centro comercial, em consequência de sua combinação com as
fortes chuvas características do período, conforme as ocorrências observadas
nos anos anteriores. O nível vai continuar alto até o dia 24 de março e depois
disso deve se manter abaixo de 3,3m.
Segundo o 2º Distrito de Meteorologia de
Belém (Disme), o mês de março registrará chuvas em 26 dos 31 dias, mas a
expectativa de chuva não excederá a normalidade. O índice pluviométrico
esperado para a Região Metropolitana de Belém é de 450 milímetros, média normal
para o mês. A Comissão Municipal de Defesa Civil de Belém anunciou que está
finalizando a elaboração de folhetos com as datas de maré alta, que serão
distribuídos em pontos críticos na semana que vem. Os dois órgãos ainda devem
se reunir para analisar os dados meteorológicos e discutir a necessidade de
medidas preventivas.
Familiarizados com o fenômeno, os
trabalhadores da área do Ver-o-Peso dizem que não há muito o que fazer para
evitar os transtornos causados pela subida das águas da Baía do Guajará.
Socorro Loura, vende lanches na Feira do Açaí há 22 anos e lembra que já quase
perdeu os dois refrigeradores por causa do alagamento. “Foi por pouco. A água
ficou bem perto. Fechei o trailer da melhor maneira que pude e torci pra não
estragar meus aparelhos. Mesmo quando enche não deixo de vir trabalhar. Já
basta o prejuízo de ficar sem a circulação de pessoas durante a maré alta”,
disse ela.
Já os camelôs Paulo Meireles e Marcos da
Costa não têm escapatória. Eles trabalham na curva do Boulevard Castilho França
com a avenida Portugal, bem em frente à Pedra do Peixe, onde a água chega a
alcançar os joelhos. “Todo ano, nessa época, a gente chega a ficar três dias
sem trabalhar porque não tem condições. Os ônibus passam e jogam água pra cima
da gente”, disse Marcos.
Segundo Paulo, o jeito é correr atrás das
vendas perdidas nos outros dias, já que não adianta montar a barraca de tarde.
“O movimento mesmo é de manhã. Acho que nesse ano a maré vai dar mais alta. A
gente observa pela força da maré, pelo tempo, pela lua e também fica
acompanhando os jornais”, complementou Marcos. Eles também reclamaram de um
bueiro entupido há anos. “Sei que desentupir um bueiro não vai impedir o
alagamento por causa da maré, mas basta uma chuva rápida para encher esse
ponto. A prefeitura faz limpezas superficiais, mas não adianta”, acrescentou
Paulo.
Fonte: O Liberal.