A situação dos municípios brasileiros, que
nos últimos anos enfrentam dificuldades com a queda da arrecadação e aumento
das despesas, pode ficar ainda pior. As previsões da Confederação Nacional dos
Municípios (CNM) e da Frente Nacional de Prefeitos são sombrias, principalmente
para os pequenos municípios. Uma das maiores preocupações é com a queda do
repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), maior fonte de renda
para mais de 60% das prefeituras brasileiras.
Com recursos financeiros historicamente
limitados, municípios paraenses já sentem os efeitos e amargam uma de suas
piores crises financeiras, agravada pelo aumento da folha de pagamento, do
ganho de novas competências, como a responsabilidade pela manutenção da
iluminação pública, e também pelo atraso de verbas federais. Gestores
consideram a conjuntura “assustadora”.
Dados divulgados pela CNM em janeiro
mostraram que a primeira parcela mensal do FPM para as prefeituras do Pará
sofreu queda de 40% quando comparado ao repasse feito no mesmo período no ano
passado. Segundo o presidente da Confederação, Paulo Ziulkoski, a redução é
consequência da baixa arrecadação registrada por conta das vendas fracas do fim
do ano de 2014. Para Ziulkoski, a redução é significativa e os prefeitos devem
controlar suas contas para não terem mais problemas financeiros.
O Fundo de Participação dos Municípios é uma
transferência constitucional da União para os Estados e o Distrito Federal,
composto de 22,5% da arrecadação do IPI. O dinheiro é repartido entre os municípios
seguindo normas legitimadas legalmente e acompanhadas pelo Tesouro Nacional,
pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e também pela Receita Federal. O cálculo
para chegar aos valores repassados às cidades leva em consideração, entre
outras questões, a renda per capita, o tamanho e a localização da cidade e a
faixa de habitantes.
O deputado estadual Iran Lima (PMDB), que foi
prefeito de Moju e diretor financeiro da Famep, lembra que a maioria dos
municípios paraenses sobrevive do repasse do FPM. “O principal problema das
prefeituras do Pará é a baixa arrecadação, que os tornam totalmente dependentes
dos governos Federal e Estadual”. Iran lembra que os municípios paraenses não
conseguem ter receita própria e sobrevivem dos repasses do governo federal (do
Fundo de Participação dos Municípios, do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento
da Educação Básica e da Saúde) e do ICMS.
Mas não foi só a redução do repasse do FPM
que trouxe maus presságios para os prefeitos no início de 2015. Pela primeira
vez nos últimos anos, o Ministério da Saúde atrasou em mais de três meses o
repasse de recursos para as prefeituras. A transferência de recursos referentes
aos meses de outubro, novembro e dezembro para procedimentos de média e alta
complexidade só caiu na conta dos tesouros municipais na última semana de
janeiro. E as queixas de atrasos se estendem também a outros repasses da saúde,
além de recursos relativos aos royalties do petróleo e de fomento às
exportações.
De acordo com a CNM, o governo federal deve
R$ 35 bilhões aos governos municipais.
Um levantamento feito sobre os Restos a Pagar
(valores das despesas empenhadas e não pagas no mesmo exercício financeiro)
mostra que do total que deve ser pago aos municípios, a maioria está
concentrada em três ministérios: Cidades, Educação e Saúde. Juntos, eles
correspondem a quase 70% do total de Restos a Pagar devidos aos governos
municipais.
Fonte/Foto: Diário do Pará.