O Grupo de Trabalho (GT) sobre o Processo
Unificado de Escolha de Conselheiros Tutelares, no Pará, formado por
instituições públicas e organizações da sociedade civil, divulgou ontem o resultado
do levantamento nos 144 municípios do Pará para avaliar se estão ou não aptos
ao primeiro processo de escolha unificada de conselhos tutelares, em 4 de
outubro, em todo o país. Há 72
municípios sem lei adequada às orientações do Estatuto da Criança e do Adolescente
(ECA), apenas 15 têm previsão orçamentária para o processo unificado e em 52 municípios não foi possível sequer manter contato com os conselhos tutelares.
Cabe ao município manter os conselhos
tutelares e o prefeito deve garantir condições para a escolha dos conselheiros,
sob pena de o Ministério Público Estadual (MPE) apresentar ação civil pública
de improbidade administrativa contra o gestor municipal, que poderá inclusive
ser impedido de continuar no cargo.
Instituído pela Lei 12.696 de 2012, o
processo unificado estabelece uma data específica de eleições em todo o Brasil,
que passa a ser todo primeiro domingo de outubro após as eleições
presidenciais; ampliação do mandato de três para quatro anos; e extinção de chapas,
dando lugar ao voto em apenas um candidato. Os cinco mais votados em cada conselho
tutelar serão os novos conselheiros e os outros cinco subsequentes, suplentes.
Ao todo, 92 municípios foram pesquisados pelo
Grupo de Trabalho, só vinte dos quais informaram ter adequado a Lei Municipal à
alteração do ECA, enquanto 72 municípios (70%), não. Com orçamento para a
eleição, o levantamento aponta só 15 municípios (10,4%); 4 (2,8%) estão discutindo o assunto; 72 (50%) afirmaram não prever orçamento e 1
(0,7%) não soube responder. Além disso, a
pesquisa aponta que 55 municípios (38,2%) mantêm Conselhos Municipais de
Direitos da Criança e do Adolescente; e 37 (25,7%) não.
O Grupo de Trabalho foi criado para garantir apoio
e orientação aos municípios paraenses que não se adequaram às mudanças no
processo eleitoral. Integram o GT o Tribunal de Justiça do Pará (Coordenadoria
Estadual de Infância e Juventude), Ministério Público (Centro de Apoio
Operacional da Infância e Juventude), Defensoria Pública (Coordenadoria de Política
da Infância e da Juventude da Região Metropolitana), Conselho Estadual de
Direitos da Criança e do Adolescente do Pará (CEDCA), Associação de Conselheiros
e Ex-Conselheiros Tutelares do Pará (Aconextel), Ordem dos Advogados do Brasil
(Comissão de Infância e Juventude), Secretaria de Estado de Assistência Social,
Trabalho, Emprego e Renda (Seaster) e a Universidade Federal do Pará (Escola de
Conselhos).
EDITAL
Promotora de justiça e coordenadora do Centro
de Apoio Operacional da Infância e da Juventude do MPE, Mônica Frei re explicou
que o processo unificado será em outubro, mas cada município precisa publicar
um edital com no mínimo seis meses de antecedência, ou seja, em abril. “Os
municípios tiveram dois anos para se ajustar à nova lei. Além disso, o GT elaborou
inclusive uma minuta de projeto de lei e um exemplo de edital que poderiam ser
usados pelos municípios, mas uma parte acabou deixando para a última hora e outra,
o que mais nos preocupa, é que nem conseguimos manter contato”, ressaltou a
promotora de justiça Mônica Freire.
O processo de escolha unificada surge na
expectativa de que haja maior participação da sociedade e haja uma preparação
dos conselheiros e suplentes, durante o período de outubro até 10 de janeiro de
2016, quando ocorrerá a posse. O voto não é obrigatório e o cidadão precisa só
apresentar o título de eleitor e escolher um candidato inscrito no bairro ao
qual está vinculado.
Para se candidatar é necessário ter mais de
21 anos, ter idoneidade moral e ser residente no bairro do município a que está
se inscrevendo. O GT vai sugerir novas
exigências, como por exemplo, ensino médio completo, desenvolver trabalhos na
área da infância e juventude, além de teste que avalie os conhecimentos sobre o
ECA.
“Com essas novas exigências e a capacitação
pretendemos garantir que os conselheiros tenham o mínimo de noção sobre a
questão da criança e do adolescente”, pontuou Sérgio Rodrigues Borges, membro da
Associação de Conselheiros e Ex-Conselheiros Tutelares do Pará (Aconextel).
Apesar da manutenção da estrutura física e de
pessoal ser feita pelas prefeituras, o Conselho Tutelar é independente. De
acordo com a resolução 139 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do
Adolescente (Conanda), o ideal é um conselho tutelar para cada 100.000
habitantes. Em 2012, havia no Pará 153 Conselhos Tutelares, responsáveis por
atender as crianças e adolescentes, aconselhar os pais ou responsáveis,
requisitar serviços públicos; encaminhar ao Ministério Público notícia de
infração administrativa ou penal contra os direitos da criança ou adolescente; encaminhar
à autoridade judiciária os casos de sua competência; assessorar o Poder Executivo
local na elaboração da proposta orçamentária para planos e programas de
atendimento dos direitos da criança e do adolescente; entre outras atribuições.
SEMINÁRIO
O GT promove em Belém, hoje e amanhã, a
oficina de preparação para o processo de escolha unificado. Noventa municípios
se inscreveram algo em torno de 180 pessoas que se reunirão no Centro Integrado
de Inclusão e Cidadania - CIIC. Os municípios que não se inscreveram podem
procurar os representantes do GT. É o terceiro encontro em 2015 com este fim. O
primeiro foi no dia 20, em Santarém, e o segundo em 24 de fevereiro, em Marabá.
A presidente do Conselho Estadual de Direitos
da Criança e do Adolescente do Pará (CEDCA), Maria de Nazaré Sá, avalia que a
confirmação de representantes de 90 municípios ao evento mostra que o trabalho
do GT surte efeito. “A situação é grave, muitos conselhos tutelares não têm
condições mínimas de infraestrutura. Essa mudança vai fortalecer o trabalho dos
conselhos e dos conselheiros”, afirmou.
Fonte: O Liberal.