Faleceu na tarde desta segunda-feira (4) o arcebispo
emérito de Belém, Dom Vicente Zico. Ele apresentou dificuldades respiratórias
após retornar de viagem de Belo Horizonte, onde foi visitar familiares. A
informação foi confirmada pelo cardeal do Rio de Janeiro, Dom Orani João
Tempesta, que publicou nas redes sociais que "Dom Vicente Zico, arcebispo
emérito de Belém, acabou de fazer sua Páscoa definitiva. Rezemos pela sua alma,
o seu descanso eterno junto de Deus".
HISTÓRICO - Dom Vicente Joaquim Zico nasceu
no dia 27 de janeiro de 1927, em Luz-MG. Aos 11 anos, após ter concluído o
primário, foi orientado para o Seminário Menor do Caraça, MG, dos Padres
Lazaristas, da Congregação São Vicente de Paulo. Aos 16, seguiu para
Petrópolis, no Rio de Janeiro, e no Noviciado da Congregação, tornou-se
Lazarista, no dia 4 de fevereiro de 1943. No Noviciado cursou Filosofia e
Teologia, e foi ordenado sacerdote no dia 22 de outubro de 1950, aos 23 anos,
por Dom Jorge Marcos de Oliveira, então Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro.
Dom Zico cresceu em um ambiente familiar
cristão. Para ele, esse foi um dos fatores que contribuíram para a escolha da
vida eclesial. “Minha família sempre foi de muita fé, de frequência diária na
Santa Missa e de vida pastoral ativa. Meu pai, Frederico Hosana, foi vicentino
desde os 15 anos de idade. Minha mãe, integrante do Apostolado da Oração, nos
inspirava na oração em casa”, recorda. “Fui para o Seminário por influência dos
meus irmãos, também sacerdotes, padre José Tobias e Dom Belchior. Eu estava
sendo chamado e, com18 anos, me consagrei”, acrescenta.
Como padre, trabalhou durante 12 anos no
Seminário de Fortaleza, até ser transferido para Petrópolis, onde foi reitor do
Seminário por três anos. Após esse período, iniciou sua temporada fora do país.
Dom Vicente foi fazer o curso de Pastoral em Paris, na França, e conviveu dois
anos e meio com os franceses. Depois disso, voltou para o Brasil e, no Rio de
Janeiro, ocupou o cargo de conselheiro, encarregado de conduzir durante quatro
anos a Congregação no Brasil (Região Brasil Centro, envolvendo Rio de Janeiro,
Minas Gerais, São Paulo e Distrito Federal).
O mineiro não esperava que a missão no Brasil
fosse o primeiro passo para o seu reconhecimento internacional. Em 1974, foi
eleito, em Roma, conselheiro da Congregação no Mundo, na América Latina e nos
países de língua portuguesa. O religioso trabalhou durante sete anos em Roma,
visitando núcleos da Congregação. Nesse período aconteceu algo que o
surpreendeu ainda mais. “Eu nunca imaginei chegar a ser Bispo um dia”, conta.
Mas era exatamente o que Deus planejava para sua vida.
Sua relação com o povo paraense iniciou no
dia 5 de dezembro de 1980, após ser nomeado. O Papa João Paulo II o instituiu
Bispo e o enviou para Belém como Arcebispo Coadjutor, com direito a sucessão.
“Ele mesmo me ordenou, no dia 6 de janeiro de 1981”, lembra. A indicação foi
feita pelos religiosos que observaram seu potencial.
Dom Vicente Zico chegou a Belém no dia 7 de
março de 1981. O Arcebispo na época, Dom Alberto Gaudêncio Ramos, o confiou a
tarefa de acompanhar o Seminário da Arquidiocese. Percebendo o potencial do
religioso, o deixou encarregado de organizar a Pastoral da Arquidiocese.
Em 1990 Dom Zico deixa de exercer a função de
Arcebispo Coadjutor de Belém e, aos 53 anos de idade é nomeado Arcebispo de
Belém, no dia 4 de julho de 1990, sucedendo Dom Alberto Ramos, após sua
renúncia. Foram 14 anos de missão como Arcebispo da Arquidiocese de Belém, até
a nomeação de seu sucessor, Dom Orani João Tempesta, em 13 de outubro de 2004.
Dom Vicente ficou conhecido por ter realizado
grandes feitos enquanto esteve à frente da Arquidiocese. Ele criou paróquias e
cinco das atuais seis Regiões Episcopais. A primeira paróquia de sua gestão não
poderia ter outro nome mais sugestivo do que o que foi escolhido por ele mesmo
- Paróquia São Vicente de Paulo (santo que até hoje considera sua inspiração,
por sua filosofia e lições de vida) - localizada no bairro do Paar. Em virtude
da grande quantidade de tarefas, Dom Vicente pediu um bispo auxiliar e o Papa
nomeou Dom Carlos Verzeletti, atual Bispo de Castanhal, para essa função. “Ele
foi um bispo auxiliar de muito valor, que me ajudou muito”, ressaltou Dom
Vicente.
Outra importante obra da sua gestão foi a
criação da Fundação Nazaré de Comunicação. “Dom Carlos e eu fomos três vezes
até Brasília, falar com o Ministro das Comunicações, para conseguir concessão
para a rádio e depois para a TV”, recorda. O Centro de Cultura e Formação
Cristã (CCFC), importante centro de referência, que faz parte do complexo do
Seminário Arquidiocesano, juntamente com o Instituto de Filosofia e Teologia
Regional (IFTR) e a residência dos seminaristas, também fazem parte das obras
do emérito.
Dom Vicente tem como lema de sacerdócio: “Com
Maria, Mãe de Jesus”, inspirado no livro dos Atos dos Apóstolos. Ele explica
que escolheu este lema em homenagem ao Papa João Paulo II, a quem tanto admira,
e porque sabia que o Papa lhe enviaria a Belém, terra do Círio de Nazaré.
Fonte: Nazaré Belém
Informações: G1