“Nós,
há muito tempo, estamos mostrando que a crise econômica nos Municípios tem se
aprofundado”, voltou a dizer o presidente da Confederação Nacional de
Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski. Durante participação em veículo de
comunicação no Rio Grande do Sul, o líder municipalista destacou que essa crise
é estrutural, uma vez que a questão federativa no Brasil não está resolvida. “Nunca
se conseguiu construir um pacto federativo”, disse Ziulkoski, ao mencionar que
isso já faz mais de 120 anos.
A
crise afeta todos os entes da federação, esclareceu o presidente da CNM, mas há
uma diferença. “Hoje, se você pegar o gasto em pessoal, os Municípios estão
gastando, em média, 49% do que arrecada, e nós podemos atingir até 60%. Então,
nós não estamos com problemas sérios com esse endividamento, como o Estado”.
Por outro lado, a grande maioria dos Municípios não tem a chamada dívida
fundada. Quando se discute o reparcelamento, e se inclui os Municípios, são
apenas 80, pois mais de 90% dos Municípios não tem a dívida de longo
prazo”, esclareceu.
“O
problema é: quem está em crise é o cidadão. São os serviços públicos que estão
diminuindo, não estão indo no volume que deveriam ir de demanda. E a qualidade
deles também começa a sofrer”, salientou o representante municipalista. Ele se
refere aos problemas sociais, que dependem de repasses dos programas estaduais
e federal. E menciona o programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) como exemplo.
“Até 2013, o governo nunca atrasou, e agora começou a atrasar. Não pagou ano
passado, e tem muitas escolas já sofrendo com isso”.
De
acordo com Ziulkoski, a Saúde é outro problema. “Nós, Municípios, estamos
gastando 21% do que arrecada com a Saúde, não é nem 15% como a lei diz. Já
ultrapassamos R$ 170 bilhões do que a Constituição determina, enquanto a União
gasta 6% e o Estado 8% ou 9%”. Questionado sobre a possibilidade de aumentar
imposto para financiar o setor, o presidente da Confederação foi contundente:
“Sou contra aumentar impostos. Tem que haver melhor gestão”. Segundo ele,
quando se cria um novo imposto, os Municípios não têm parte nele.
Administração
O líder municipalista também explanou sobre a estrutura da administração
pública, sobre a gestão de programas e sobre a máquina, que precisa ser criada
para gerir as políticas sociais, educacionais e da Saúde. Conforme apresentou
Ziulkoski, há 25 anos, as prefeituras tinham 20 mil servidores na Saúde. Agora,
tem 1,6 milhões de funcionários. Ele ponderou que no Programa Saúde da Família,
hoje, são 35 mil equipes. Só de enfermeiros, são 370 mil. “Ainda assim,
gastamos 45% com pessoal”, ponderou.
“A federação tá mal. A culpa é do Congresso que
vota as coisas, disse o presidente da instituição. Ele destacou, porém, que
pela primeira vez o Pacto Federativo está em discussão. A gestão dos Estados
Unidos, em que os governos locais ficam com maior parte de recursos foi
mencionada. No entanto, o presidente da CNM diz: “os Municípios poderiam até
ter menos recurso do que tem hoje, desde que tivesse menos atribuição”. A Marcha a Brasília em Defesa dos
Municípios, os problemas das emendas parlamentares, da guerra
fiscal e da partilha de competências pelo Constituição também foram assuntos
abordados.
Fonte:CNM