HOMENAGEM E CONDOLÊNCIAS PELO FALECIMENTO DE DR. ALMIR GABRIEL
O que seria daquele menino
franzino, filho de um imigrante libanês com uma professora de primeiras letras do interior? Que
rumo tomaria o jovem que veio aBelém
cursar o primário no grupo escolar Rui Barbosa, e logo a seguir o ginásio e ocientífico no Colégio Moderno? E o que esperaria
ele quando, aos 17 anos, perde opai
e passa a dividir as horas de aulas e os deveres de classe com o balcão da lojaRenascença, do velho Inácio, na Castanhal do
final dos anos 40. Quais desígniosaguardavam
o caprichoso estudante de Medicina enquanto fortalecia sua têmperanos porões da Santa Casa?
Foram esses os primeiros passos de Almir José de
Oliveira Gabriel, o impecávelprofissional
da Medicina; o cirurgião que usava o rigor do conhecimento, aobstinação pelo método e o talento para salvar vidas;
o servidor público da saúdeque
deixou sempre um rastro de inovação e respeito em todas as instituições queserviu. A mesma admiração despertou também em quem
acompanhou sua trajetória comosecretario
de governo, prefeito de Belém, senador constituinte da Republica e,finalmente, sem ser um afinal, por duas vezes
consecutivas governador do Estadodo
Pará.
Na sua história de vida, o respeito pela
administração pública e o uso correto doerário sempre foram sua marca registrada. Bastião da decência e da
ética, este humanista subordinou os interesses pessoais às
causas que abraçou em favor dacoletividade.
A inteligência fulminante, as decisões
comedidas, a paciência e o discernimento nashoras difíceis, o trabalho incessante, a coragem de
dizer não ao que considerava incorreto ou inadequado e a honestidade em tudo
que fez o transformaram em umícone
a ser imitado pelas gerações.
O semeador do novo Pará não ficará na lembrança
como mais um entre tantos outros que estiveram à frente do destino desse
Estado-continente. Não será apenasum
retrato esmaecido a entrar na galeria dos dirigentes mais ou menos ilustresque passaram pela história política do Estado,
mas, sim, como o inesquecívelgovernante
que realizou obras memoráveis. Que restaurou a dignidade do poderpublico no Estado ou, proeza maior ainda, nos
devolveu a esperança quando tudoparecia
perdido.
Muito acima dessas recordações estará sempre
presente em estado de imanêncianuma
espécie de almoxarifado de sonhos disponíveis até a consumação do tempo,como um encantado a iluminar o nosso caminho. E
mesmo quando estiver apenascultivando
flores como quer agora, o que, aliás, fez em toda vida, em toda parte,ele será um guardião a fazer jus ao sobrenome
angelical e paterno e a velareternamente
por nós.