Um
curso iniciado nesta segunda-feira (15), em Belém trata da formação de pessoal
para a produção de produtos orgânicos no Pará. A importância da produção
orgânica sustentável foi enfatizada também em seminário, ações promovidas pela
Secretaria de Estado de Agricultura (Sagri), na Federação da Agricultura e
Pecuária do Pará (Faepa).
A
legislação e a certificação de produtos orgânicos foram temas dos encontros,
que reuniram especialistas e produtores de várias regiões do Estado. O
seminário sobre legislação e procedimentos da certificação orgânica continua
até sábado (20), com o curso de formação de instrutores e certificadores de
produtos orgânicos do Pará.
Na
abertura do curso sobre certificação orgânica, a secretária adjunta da Sagri,
Eliana Zacca, alertou para a exigência cada vez maior de produtos saudáveis,
incorporados às boas práticas sustentáveis de qualidade, que abrem um nicho de
mercado promissor em todos os continentes. “O boi orgânico é um exemplo que
temos condições de atender, com a exportação do boi em pé. É uma forma de
agregar valor à produção e renda ao produtor”, enfatizou a secretária adjunta.
O
Boi Orgânico do Pará é um programa da Sagri lançado durante o evento. O
objetivo é incentivar o uso de tecnologias que reduzam a emissão de gás
carbono, de acordo com a legislação brasileira e normas internacionais, e
ajudem os pecuaristas no processo de certificação. A prioridade do governo é o
Arquipélago do Marajó, onde está o maior rebanho bubalino do Estado, com a
finalidade de elevar o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da região. “Temos
que inovar em termos de produto, ou não nos manteremos no mercado”, afirmou
Eliana Zacca.
Vilson
Schubert, presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas
Empresas (Sebrae-Pará) e vice-presidente da Faepa, informou que vem
acompanhando os novos processos de produção agrícola, pecuária e extrativismo
vegetal, e reiterou a necessidade de adequar a produção às mudanças do mercado.
Certificação
orgânica
Alexandre
Harkaly, diretor executivo do Instituto Biodinâmico (IBD), uma das maiores
empresas de certificação orgânica do país, ressaltou que o mercado de orgânicos
tem crescimento significativo no mundo, em torno de 15%, mas o Brasil não
explora o seu potencial - é o 4º país em área certificada, com 1,7 milhão hectares,
sem contar com as áreas de extrativismo. O Pará tem o maior número de
produtores legalizados, cerca de 3.600, mas perde para o Mato Grosso do Sul em
produtos certificados.
Harkaly disse
que o Pará tem produtos naturais com importante penetração no mercado externo,
e informou que depois do açaí a mandioca vem despertando o interesse
internacional por não ser um produto transgênico, como o milho e a soja. “A
questão não é vender um simples produto, mas um conceito de qualidade”, frisou.
Fonte: G1