Prefeituras que estão com alguma pendência
na prestação de contas com o Governo Federal, e que por isso estavam impedidas
de realizar convênios com o Governo do Estado, agora podem obter recursos
estaduais, principalmente para as áreas de saúde, educação e assistência
social. É o que garante o decreto Nº 733, que passou a vigorar nesta
terça-feira, 14, mediante publicação de decreto no Diário Oficial do Estado.
O decreto, que permite que prefeituras que
estão inadimplentes com o Governo Federal tenham acesso a convênios com o
Governo do Estado - sem que isso desrespeite as regras estabelecidas pela Lei
de Responsabilidade Fiscal - foi assinado pelo governador Simão Jatene durante
a cerimônia de abertura do Encontro Estadual com Novos Prefeitos e Prefeitas do
Pará, que foi promovido na semana passada, em Belém, pela Secretaria de
Relações Institucionais do Governo Federal.
O decreto Nº 733 anula o decreto Nº 2.637,
instituído em 2010 com as normas para convênios entre Estado e municípios e que
eram norteadas pelas exigências previstas no Cadastro Único de Convênios
(Cauc), do Governo Federal. Pela antiga normativa, as prefeituras municipais
que estivessem inadimplentes com o Governo Federal ficavam impossibilitadas de
estabelecer convênios com o Governo Estadual, realidade compartilhada em 2013
por 138 dos 144 municípios paraenses. De acordo com o governador Simão Jatene,
o formato anterior para fechamento de convênios acabava penalizando a
população.
“O novo decreto cria mecanismos que
auxiliam os municípios dentro da Lei de Responsabilidade Fiscal. Grande parte
dos governos municipais tem problemas e não pode assinar convênios com o
Estado. Ainda que eu queira, ainda que eles queiram, ainda que a sociedade
precise, esses convênios não podem ser assinados porque existem problemas que
vêm de administrações anteriores aos atuais gestores municipais, o que
penaliza, em ultima instância, a população’’.
A necessidade de criação de um novo decreto
que norteasse as transferências voluntárias de recursos a título de cooperação,
auxílio ou assistência financeira entre o Estado e os municípios, foi percebida
pelo governador Simão Jatene durante as reuniões realizadas com os gestores
municipais, que acontecem desde novembro do ano passado. Para o governador, o
decreto Nº 733 possibilita que os municípios se desenvolvam enquanto os atuais
prefeitos organizam as contas.
“A criação deste decreto é um caminho para
que os gestores municipais possam se ajustar à Lei de Responsabilidade Fiscal,
ou seja, se regularizar com o auxílio do Estado, de forma que seja penalizado
quem foi o responsável por essa inadimplência. Muitas vezes a pendência não tem
nada a ver com o prefeito atual, é de uma administração anterior, e por causa
disso, a prefeitura é impedida, por exemplo, de ter acesso a recursos que são
fundamentais para a saúde, educação e segurança, que são áreas que a gente está
elegendo como prioritárias”, reiterou Simão Jatene.
Segundo o secretário Extraordinário de
Articulação Municipal, Sérgio Bacury, o novo decreto simplifica as normas e
estabelece claramente as competências do Estado e dos municípios. O secretário
disse, ainda, que está à disposição dos prefeitos para auxiliar as prefeituras
a ficarem aptas a celebrar os convênios com o Governo, pois os municípios não
podem estar inadimplentes com o Estado, salvo em situação de convênios
destinados para ações de educação, saúde e assistência social.
“Todas as regras estabelecidas no decreto
Nº 733 estão condizentes com a Lei de Responsabilidade Fiscal do Estado. Faz
mais sentido que seja dessa forma, que a gente trate os nossos municípios de
acordo com a realidade do nosso Estado, e não baseados nas exigências da
Federação. Nossa secretaria está de portas abertas para ajudar as prefeituras a
fecharem esses convênios”, afirmou Sérgio Bacury, secretário Extraordinário de
Articulação Municipal.
Fonte: AGPA