Prevenção e atenção aos sintomas são as
recomendações dos profissionais de saúde para combater a gripe A e evitar novas
mortes por contaminação do vírus H1N1. De janeiro até maio foram confirmadas 16
mortes por Síndrome Respiratória Aguda (SRA) no Pará, sendo 10 delas por H1N1.
'O mais importante é, diante dos sintomas, procurar logo um médico e iniciar
imediatamente o tratamento', diz a coordenadora de imunização da Prefeitura
Municipal de Belém (PMB), Maria Nazaré Athayde. 'Depois, adotar as medidas que
chamamos de medidas sociais, ou seja, lavar sempre as mãos, usar lenços ao
espirrar, evitar aglomerações', enumera.
As recomendações servem para todos os
grupos, mas são especialmente importantes para a faixa etária de dois a 59 anos
de idade, não atendida pela campanha nacional de vacinação, que se encerrou no
último dia 10. Em Belém, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, foram
vacinadas pouco mais de 240 mil pessoas dos chamados grupos de risco: idosos
acima de 60 anos, bebês de seis meses a dois anos, grávidas, além de
profissionais de saúde, prisioneiros sob custódia do Estado e doentes crônicos.
Com isso, o município ultrapassou a meta do Ministério da Saúde em 2,65%. 'O
ideal seria se pudéssemos vacinar todas as pessoas. Infelizmente não há
logística para contemplar toda a população, por isso o Ministério da Saúde
prioriza as pessoas que apresentam mais riscos', explica.
Quem ficou fora da área de abrangência da
campanha de vacinação e não pode pagar pela imunização em uma clínica
particular – o custo pode chegar a R$ 120 – deve mesmo redobrar os cuidados. O
principal deles é lavar sempre as mãos. 'E não adianta apenas molhar as mãos. É
preciso lavar com água e sabão, tomando o cuidado de ensaboar e esfregar
inclusive o antebraço', ensina Athayde. Ter sempre por perto produtos à base de
álcool também ajuda nessa higienização. Mãe de um bebê de 11 meses, a advogada
Luciana Lobato, 28 anos, cumpre bem essa recomendação. 'Carrego uma garrafinha
de álcool em gel na sacola do bebê. Não fico sem, tanto na rua quanto em casa',
conta. O bebê foi vacinado durante a campanha.
Já a dona de casa Raimunda Oliveira, 68
anos, perdeu o calendário de vacinação este ano. 'Eu estava gripada no início
da campanha e não podia tomar a vacina, depois acabei não voltando', contou.
Dona Raimunda e o marido, de 70 anos, tomam a vacina todos os anos e, segundo
ela, raramente ficam gripados. Preocupada, ela cogita a possibilidade de tomar
a vacina em uma clínica particular. 'Se não encontrar em nenhum posto (de
saúde), vai ser o jeito', diz. A campanha, segundo a Vigilância Epidemiológica
da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), se encerrou no último dia 10. Contra
a gripe, os cuidados da dona de casa se estendem à alimentação. 'Nessa época
priorizamos o consumo de frutas, legumes e verduras, principalmente laranja,
acerola, frutas ricas em vitamina C', ensina.
Atendimento - Por determinação do
Ministério da Saúde, os médicos – das redes pública e privada – devem receitar
o uso do medicamento Tamiflu assim que forem constatados os sintomas da gripe
A. De acordo com o MS, o ideal é que o tratamento seja iniciado em até 48 horas
e não mais após a conclusão dos exames de laboratório. Em Belém, segundo o
Departamento de Vigilância Epidemiológica, todas as Unidades de Urgência e
Emergência estão abastecidas com o medicamento. A coordenadora municipal de
epidemiologia garante também que todas as demais recomendações do protocolo
estabelecido pelo Ministério estão sendo cumpridos. 'Foram distribuídos folders
e afixados cartazes em todas as unidades para que os profissionais de saúde
fiquem atentos à identificação dos sintomas e comuniquem imediatamente a
Vigilância Epidemiológica.'
Fonte: O Liberal