Projeto que especifica produtos que poderão
receber a denominação de biocosméticos amazônicos foi aprovado nesta
terça-feira (110) na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e
Fiscalização e Controle (CMA). O texto também institui a Contribuição de
Intervenção no Domínio Econômico sobre a fabricação de biocosmético amazônico
(Cide-Biocosméticos) e prevê incentivos fiscais para indústrias instaladas na
região.
A proposta (PLS 426/2011) visa regular a
extração de matéria-prima amazônica para fabricação de cosméticos, estimular o
desenvolvimento científico e tecnológico do setor e inibir imitações que se
apropriem do apelo mercadológico da biodiversidade da Região Amazônica.
De acordo com a proposição, para um produto
ser identificado como biocosmético amazônico, a matéria-prima proveniente da
fauna e flora da Amazônia devem representar pelo menos 10% do custo total das
substâncias usadas na sua fórmula. A descrição da matéria-prima e as
concentrações empregadas devem constar do rótulo ou prospecto do produto.
De autoria da senadora Vanessa Grazziotin
(PCdoB-AM), o projeto recebeu voto favorável do relator, senador Jorge Viana
(PT-AC). Com a proposta, a autora quer incentivar a instalação de indústrias de
higiene pessoal e beleza na Amazônia, para fomentar a geração de empregos, ou
garantir que fique na região parte dos lucros auferidos com a venda de produtos
feitos com matéria-prima da fauna e da flora nativas.
Recursos
Vanessa Grazziotin sugere que a arrecadação
da Cide-Biocosméticos seja destinada exclusivamente ao Fundo Amazônia, criado
pelo Decreto 6.527/ 2008, para financiar pesquisas que contribuam para melhorar
as indústrias de cosméticos na região.
Ela propõe que a alíquota da
Cide-Biocosméticos seja de 1% sobre o preço de venda dos produtos, menos o
Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), a Contribuição para
os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor
Público (PIS/Pasep) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social
Cofins.
A Cide-Biocosméticos não incidirá sobre a
exportação dos produtos. Além disso, o projeto zera as alíquotas de PIS/Pasep e
Confins para as indústrias de cosméticos que se instalarem na Região Amazônica.
– Esse projeto cria mecanismos para
valorizar e reconhecer a marca ‘Amazônia’ e cria um fundo para que possamos
seguir na busca do desenvolvimento produtivo, com inclusão social, a partir do
uso sustentável da nossa riqueza natural – frisou a autora.
Jorge Viana rejeitou emenda apresentada
pelo senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), que propõe isenção de PIS/Pasep e Cofins
para biocosméticos amazônicos fabricados em todo o território nacional, e não
apenas para fábricas na Amazônia, como prevê o projeto. O relator disse que a
emenda poderá voltar a ser analisada na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE),
para onde o projeto segue e será votado em caráter terminativo .
Fonte: Agência Senado