Moradores de 13 municípios das regiões do
Marajó, Nordeste, Sudeste e Sul do Pará não podem mais recorrer a defensores públicos.
Os municípios tiveram as unidades de atendimento da Defensoria Pública do Estado
fechadas por determinação da direção do órgão, em Belém. O defensor público
geral, Luiz Carlos Portela, admite o retrocesso, alegando o pequeno efetivo de
defensores públicos. Dos 350 cargos de defensor previstos para o órgão, apenas
274 estão ocupados, situação que se mantém desde 2011, informa. Essencial para
garantir o acesso à justiça a quem não pode pagar advogado particular, a Defensoria
reduziu a cobertura do território paraense, no final do mês passado,
abandonando 309.628 habitantes (IBGE/2010), para concentrar o atendimento nos
municípios pólos, que possuem maior volume de processos. “Não há regra para os
municípios desassistidos irem buscar atendimento no polo-regional da Defensoria
Pública da mesma circunscrição. A Defensoria do município só atenderá outro
município se for uma situação excepcional. De fato eles estão desassistidos e
não temos solução prática para isso”, declarou o diretor do Interior da
Defensoria Pública, Alexandre Barros.
REGISTRO
O conselheiro tutelar de São João do
Araguaia, distante 50 quilômetros de Marabá, no Sudeste do Estado, Vicente
Silva, reclama do abandono da Defensoria, que funcionava de forma itinerante
numa sala do fórum da cidade, que tem muitas pessoas em busca da reconstituição
judicial de certidões de nascimento, já que o livro de registro foi perdido
durante um incêndio do cartório civil, em 2000. “Pelo menos três mil estudantes
ainda precisam de identificação pessoal para se matricular na rede pública de
ensino”, alerta. O cartório foi queimado após um protesto contra o resultado da
eleição. Os registros dos nascidos antes do ano 2000 foram cancelados. As
pessoas atingidas pelo problema têm que restaurar a certidão por meio de processo
na justiça para obter uma segunda via, conforme conta o conselheiro.
O município também tem um número
significativo de inquéritos por pedofilia, que fatalmente resultam em processos
judiciais. São 23 inquéritos concluídos e encaminhados à Justiça e 18
inquéritos em andamento de crimes sexuais contra crianças e adolescentes.
Apenas três homens foram presos, sendo que dois já beneficiados por habeas
corpus, conforme contabiliza Silva. A defensora pública que atendia São João,
atuava também nos municípios vizinhos de São Domingos do Araguaia, Palestina do
Pará e Brejo Grande do Araguaia, na região do Carajás.
Os quatro municípios
ficaram sem defensor público. Os habitantes foram orientados a buscar
atendimento em Marabá, cuja distância dessas cidades varia de 45 minutos a uma
hora e meia de viagem. “Quando fui a Marabá, no dia sete de junho, se recusaram
a atender a gente. Eles (funcionários da Defensoria) disseram que só atendem
Marabá”, queixa-se o conselheiro.