O Ministro da Pesca e Aquicultura, Marcelo
Crivella, e o deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA) discutiram ontem, em audiência,
políticas de incentivo a atividade no Pará, bem como ações de controle que
possibilitem a redução de fraudes no pagamento do seguro desemprego para
pescador, o conhecido seguro defeso. De acordo com o ministro, existem pouco
mais de 1 milhão de pescadores cadastrados junto ao Ministério do Trabalho e
Emprego (MTE), e o total de benefícios concedidos pelo governo federal no
período de defeso já chega a R$ 1,8 bilhão, para 600 mil trabalhadores.
O ministério está realizando um
recadastramento, no qual uma nova carteira, mais durável, será entregue, inclusive
com QR Code. "Com a verificação de dados e a sofisticação do processo para
disponibilização da nova carteira, esperamos desestimular as fraudes",
afirmou Crivella. As exigências de documentos e do mapa de produção também
estão previstos no combate às irregularidades.
Fraudes na concessão do seguro defeso, não
são raras. Em Salvaterra, segundo dados do Censo do IBGE, cerca de 7 mil
pessoas que fazem parte da População Economicamente Ativa (PEA) da cidade,
sendo que cadastradas para receber o benefício do seguro defeso, o número de
"pescadores" habilitados é de 21 mil, ou seja, quase o triplo de
pessoas beneficiadas em relação à própria população do município.
Para Arnaldo Jordy, que é vice-presidente
da Comissão de Meio Ambiente da Câmara Federal é "um acinte que um
benefício tão importante seja utilizado como moeda em troca de votos, conforme
apurações da polícia federal, que já resultaram inclusive em condenações".
O deputado paraense reafirmou a urgência na adoção de medidas fiscalizatórias
que possibilitem o controle social e a ocorrência de desvios e fraudes no
benefício.
No Pará, cerca de 78 mil trabalhadores
estão cadastrados no MTE, sendo que apenas 18 mil destes se recastraram até o
momento, ou apenas 23%, enquanto no Amazonas este número se encontra já em 78%.
A baixa adesão no Estado pode ser um forte indício na possibilidade de fraudes
no cadastro.
Foram discutidas também formas de
incentivar a cadeia da pesca no Pará. Segundo Jordy há necessidade de
capacitação, de investimento e incentivos à produção, como terminais pesqueiros
e fábricas de gelo. Para ele a produção é pífia ante a capacidade produtiva do
Estado. O parlamentar também defendeu o combate à pesca de arrastão, danosa em
todos os sentidos ao ecossistema marinho.
Marcelo Crivella afirmou que o Plano de
Pesca tem previsto R$ 15 milhões para financiamento de pescadores e
aquicultores no Pará, valor abaixo do reservado para Amazonas e Roraima, por
exemplo, que terão R$ 30 milhões cada. Em relação à pesca de arrasto, o
Ministro informou que na próxima semana será lançada a Frente Nacional contra a
Pesca de Arrastão, com participação da Polícia Federal, Ibama e polícias
ambientais.
Fiscalização
Arnaldo Jordy é autor da Proposta de Fiscalização
e Controle 51/2011, que propõe que a Comissão de Fiscalização Financeira e
Controle (CFFC) da Câmara, fiscalize junto ao Ministério do Trabalho e Emprego
e ao Ministério da Aquicultura e Pesca, ocorrências de fraude no pagamento do
seguro-defeso, ou no cadastramento dos beneficiários da chamada
"bolsa-pescador". A proposta está em pauta e será apreciada na
próxima semana.
Fonte: DOL