
A universidade, através de seu Instituto Socioambiental e dos Recursos Hídricos, desenvolverá, até o final de 2013, com os recursos do Ministério, da ordem de R$ 3 milhões, o protótipo de quatro embarcações, cada uma dotada com as melhores especificações técnicas para a captura, respectivamente, do peixe pargo, dos atuns (albacora e o espadarte), das pescadas e bagres e das lagostas (vermelha e verde). Hoje estas espécies são capturadas quase sempre a partir de embarcações e processos rudimentares.
‘Este será um passo gigantesco para a pesca artesanal", disse o ministro Marcelo Crivella, na solenidade de assinatura, ressaltando que a iniciativa também se estenderá a costa da região Nordeste. A excelência das embarcações servirá de modelo para a produção de unidades em larga escala pela indústria náutica, que poderão ser acessíveis aos pescadores através de financiamentos ou por concessão do Ministério da Pesca e Aquicultura a organizações como colônias de pescadores, a partir da intermediação de entidades públicas como Prefeituras.
O recorte do litoral nas regiões Norte e Nordeste representa aproximadamente 50% da costa brasileira. Entre 25 e 30 mil embarcações precisam ser renovadas nessas regiões. O reitor da UFRA, Sueo Numazawa, considerou a missão da universidade, para a construção dos quatro protótipos, um desafio, mas lembrou que a equipe envolvida é especializada e muito competente. Ao final dos trabalhos, duas embarcações serão destinadas à região Nordeste e duas à região Norte.
Para o diretor do Departamento de Planejamento e Ordenamento da Pesca Artesanal, Henrique Almeida, as atuais embarcações do setor são obsoletas, já que têm aproximadamente meio século de construção. ‘Elas estão atrasadas em relação a um mundo que utiliza aparelhos sofisticados, como computadores portáteis, TV a cabo, celulares e carros com muita tecnologia’, disse.
Segundo o diretor de Planejamento e Ordenamento da Pesca Industrial do MPA, Mutsuo Asano Filho, a renovação da frota pesqueira beneficiará os consumidores pela redução de custos e perdas. O meio ambiente será favorecido pela tecnologia evitar o desperdício do pescado capturado tanto na pesca quanto na estocagem, e na fase de construção, ao evitar o desmatamento para a construção dos barcos de madeira. ‘O esforço de pesca será o mesmo de hoje, mas as condições serão muito melhores’, afirma.
Texto: Thiago Vilarins (Sucursal Brasília)
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