MARAJÓ
DEBATE CULTIVO DE ARROZ NA REGIÃO
AUDIÊNCIA
Ministérios públicos federal e
estadual investigam invasão de terras públicas.
O Ministério Público Federal
(MPF) e o Ministério Público do Estado (MPE) realizam hoje, em Salvaterra, e
amanhã, em Cachoeira do Arari, duas audiências públicas para discutir os
impactos provocados pela monocultura de arroz no arquipélago do Marajó. Toda a
população da região está convidada a participar.
A realização das audiências
faz parte de investigação conjunta do MPF e do MPE aberta a partir de denúncias
de que a introdução do plantio de arroz no Marajó estaria se dando por meio da
invasão de terras públicas e do desmatamento ilegal. A prática estaria
colocando em risco o patrimônio socioambiental e arqueológico da região, além
de expulsar a população rural para as cidades.
Ainda segundo as denúncias,
que atribuem a irregularidades a arrozeiros que atuavam na Terra Indígena Raposa-Serra
do Sol, em Roraima, a falta de atendimento à legislação ambiental e o uso
excessivo de defensivos agrícolas têm causado danos à fauna e à flora,
provocando mortandade de peixes, pássaros e animais silvestres.
De acordo com informações
divulgadas por associações de agricultores, o objetivo da categoria é
plantar300 mil hectares de arroz na região. Por meio de investigações e de audiências
públicas, o Ministério Público quer verificar se essa iniciativa vem sendo
acompanhada por órgãos ambientais, se esses órgãos estão cumprindo a obrigação
de fiscalizar, se procedimentos para licenciamento ambiental estão sendo
realizados e respeitados, e quais as dimensões dos impactos existentes e dos
previstos.
Além de toda a população,
procuradores da República e promotores de Justiça estão convidando para as audiências
públicas representantes de organizações governamentais e não governamentais,
como prefeituras municipais, câmaras de vereadores, secretarias estaduais e
municipais de Meio Ambiente e Agricultura, Secretaria do Patrimônio da União,
Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, Instituto Brasileiro do
Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Colegiado de
Desenvolvimento Territorial do Marajó, Instituto Peabiru, Instituto de Terras
do Pará, Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará), Federação
da Agricultura e Pecuária do Pará e Associação dos Municípios do Arquipélago do
Marajó.
Fonte: O Liberal