Na ultima quarta-feira, (16), desembarcaram em Belém os representantes do Ministério da Educação, Dr. Binho Marques (Secretário de Articulação com os Sistemas de Ensino) e Flávia Maria de Barros Nogueira (Diretora de Articulação com os Sistemas de Ensino – DASE). No mesmo dia, os representantes do MEC saíram de Belém rumo a 10 municípios do Arquipélago do Marajó.
A visita do Secretário Binho Marques e da Diretora Flavia Nogueira, é fruto de articulação feita pela AMAM (Associação dos Municípios do Arquipélago do Marajó), do Movimento Marajó Forte, que luta pela criação da Universidade federal do Marajó, com membros da Bancada Federal, Prefeitos Marajoaras e Secretários Municipais de Educação.
Os representantes do MEC vieram cumprir a promessa feita durante a reunião ocorrida em setembro no gabinete do secretário de Educação Superior do Ministério da Educação, Paulo Speller. O principal objetivo dessa visita foi a de realizar um desejo antigo dos prefeitos marajoaras e de todos que lutam pelo desenvolvimento e implantação de melhores políticas publicas para a educação no Marajó, o de conhecerem as realidades, peculiaridades e dificuldades que só podem ser encontradas no território marajoara, que se difere de qualquer outro em todo o país.
Binho e Flávia conheceram 10 municípios marajoaras, não podendo visitar o restante por fatores relacionados condições de pouso da aeronave, logística e tempo de agenda, mas a promessa de voltar está de pé e agora mais do que nunca podemos acreditar no Secretário de Articulação, que cumpriu com sua palavra e veio até nós, a visita surpreendeu muitos prefeitos, que ao saberem de sua chegada a Belém custaram a acreditar, pois nunca um representante do porte de Binho Marque que é Doutorado em Educação, já foi Secretário Municipal de Educação, Secretário Estadual de Educação do Estado do Acre, Governador por 8 anos do Estado do Acre, jamais pisou em solo marajoara. Isso mostra a força que a união por um objetivo comum pode realizar.
Durante as horas que passaram nas cidades do Marajó, O Secretário do MEC reuniram-se em cada estada, com técnicos do setor da educação, professores, membros da sociedade, prefeitos, vereadores, pais de alunos, alunos das escolas públicas, sendo a maioria municipais e algumas estaduais. Visitaram inúmeras instalações de ensino, inclusive para crianças com necessidades especiais, viram de perto lanchas e barcos de transporte escolar podendo constatar o nível de dificuldade que as prefeituras têm para manter, ampliar e melhorar este atendimento, e o mais importante, sentiram na pele o que as crianças e os jovens marajoaras passam e sofrem para conseguir frequentar a escola. Observando fatores como segurança, ruído, conforto e tempo de viagem até a sala de aula.
Percebeu-se o quanto vem sendo equivocada algumas normas do MEC para a construção de escolas e creches, onde as regras do governo são totalmente desconformes quanto a realidade do Marajó, lanchas com motores a base de gasolina e potência desnecessária para o traslado dos alunos, gerando um custo que eleva na maioria dos casos em até 8 vezes os gastos, equipamentos com manutenção específica só encontrada na capital do Estado e peças de reposição que demoram muito a chegar nos municípios acabam atrapalhando ainda mais o transporte escolar, pois as embarcações que dependem deste tipo de equipamento ficam paradas por longos períodos até que seja efetuada sua manutenção.
Pedro Barbosa (Secretário Executivo da AMAM) afirma que os motores enviados pelo MEC de aproximadamente 115 HPs são totalmente fora da realidade e necessidade de pelo menos 90% dos municípios do arquipélago, afirmando que um motor diesel com 11 cavalos de força supre as necessidades, sendo que um motor comprado pelo MEC tem o custo de 5 motores diesel deste porte, fora os gastos com combustível e manutenção que cairiam drasticamente, Barbosa ainda explica que motor marítimo a base de gasolina pode consumir até 10 vezes mais que um motor automotivo terrestre, e muitos ainda não sabem desta diferença, um fator que encarece exorbitantemente os custos.
A presidente da AMAM e prefeita de Ponta de Pedras Consuelo Castro, espera que o Ministério da Educação se torne de fato um facilitador, a vinda do Secretário Binho que tem larga experiência com os desafios da educação em nosso país, poderá representar um marco histórico para todo o povo marajoara e seus gestores municipais. “Esse é um sonho possível de se realizar, o de que o Marajó seja tratado como se deve, com respeito, dignidade e igualdade, nunca tivemos tanta coesão política e popular focada num único objetivo, a luta é por melhorias em todos os níveis de educação e formação, do ensino fundamental ao universitário, juntos conquistaremos essa vitória”, disse Consuelo.
O Secretário Binho entrou em várias embarcações, para sentir o nível de conforto e ruídos emitidos pelos motores, e principalmente da segurança. Os alunos tiveram a oportunidade de interagir, dar suas sugestões e fazer reclamações diretamente ao representante do Governo, sensibilizando-o profundamente.
Durante as visitas às instituições de ensino, foram observados em muitos casos, que apesar das dificuldades geográficas e escassez de recursos, muitas escolas podem ser consideradas como bons exemplos de metodologia pedagógica, qualidade dos professores e estrutura física, que surpreenderam os visitantes. Em Melgaço um dos municípios com o pior índice de IDH do Brasil foi um destes, com escolas municipais, que podem ser referencia de boa administração escolar e pública, foi o que ressaltou Binho Marques, mesmo admitindo as falhas e dificuldades para a gestão da educação naquele município. “Melgaço carece de uma atenção diferenciada e adaptada às suas realidades, assim como todos os municípios que visitamos até então, é impressionante como a dificuldade de uma cidade difere da outra, e hora ela é exatamente igual, sendo que em algumas, só nelas existem coisas para adaptar”, disse Binho em uma de suas observações.
Isso demonstra como o Marajó é único, peculiar e totalmente diferenciado. Uma das citações mais importantes em um dos discursos de Binho Marques é a de que, ele percebeu, que as transformações deverão partir do Ministério da Educação para os municípios, dizendo que hoje ele é testemunha dessas diferenças, admitindo que se o MEC não se adequar e rever sua forma de atuação, o Marajó dificilmente poderá, mesmo que a longo prazo melhorar a realidade da educação de seu povo. Prometeu que agora vai acompanhar com muito mais atenção todos os programas do governo e trabalhar para que as coisas fiquem mais fáceis para os municípios, “a partir de agora os prefeitos tem um caminho livre e direto no sexto andar do Ministério em Brasília, estarei lá e se possível aqui, com uma equipe enorme empenhada em colaborar com o Marajó, se tratarmos os desiguais de maneira igual, só aumentaremos as desigualdades, temos que dar mais para quem tem menos! Esse é o sentido da equidade ”, falou o secretário.
Binho Marques chama atenção para o fato de que algumas das transformações e adequações de projetos, cotas e convênios para o Marajó só podem sofrer alterações mediante ajustes de legislação e normas, ou seja, não depende apenas de sua vontade e do Ministério. “A luta pelo Marajó só esta começando e alguns que aqui estão, poderão nem ser gestores municipais quando as grandes modificações chegarem, mas com certeza estão desempenhando um papel crucial nesta história”, falou Binho.
O MEC através de seu representante, afirma que sua postura e diretrizes de trabalho a partir do próprio ministro Aluízio Mercadante, não olha os municípios com partidarismo, ou por concepções ideológicas, o ministério de acordo com o secretário é republicano e trabalha com o olhar voltado para o que temos de mais importante que são as crianças os jovens e adultos, e devem ser tratados de maneira igual, reafirmando a todos os prefeitos que sua relação com esses não é ideológica, garantindo que todos tem a mesma fatia de atenção e tratamento pelo Ministério da Educação, a atenção é igualitária e sofrerá adequações para cada realidade e necessidade, queremos que nossos irmão marajoaras possam ter uma vida cidadã, ter seus direitos garantidos e a chance de construir um futuro melhor.
A AMAM agradece a participação de todos que contribuíram de forma direta e indireta para darmos este grande passo rumo ao desenvolvimento da educação no Marajó, ressaltando e destacando a união suprapartidária, que fortalece a cada dia esta luta, todos os prefeitos, vereadores, deputados estaduais e federais, membros da sociedade e o Grupo do Movimento Marajó Forte que tanto contribui e trabalha por esta causa.
Juntos venceremos!Veja algumas imagens.
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