A região marajoara é rica não somente de recursos naturais, mas também de histórica herança patrimonial e cultural. A questão é que, apesar de toda essa riqueza, nem sempre existem pesquisas que retratam o universo da maior ilha flúvio-marinha do mundo, e, muitas vezes, os próprios moradores da região acabam não tendo conhecimento acerca do local onde vivem. É com este intuito que o livro Remando por Campos e Florestas: Memórias & Paisagens dos Marajós foi idealizado. O lançamento da publicação será realizado hoje, segunda-feira, 29, às 19h30, no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em Belém.
Este é o primeiro livro didático sobre o patrimônio cultural da região marajoara destinado ao ensino fundamental, especialmente para os alunos do 6ª ao 9º ano. A obra está dividida em eixos temáticos que vão desde a história de vilas e cidades até o patrimônio material e imaterial da ilha. Inicialmente, serão distribuídos 1600 exemplares para os autores e para as Secretarias Municipais de Educação dos municípios do Marajó. Há uma versão online disponível para download no site www.marajoara.com
Valorizando o conhecimento - Patrocinado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pelo IPHAN, o livro é resultado do Projeto “Popularização do conhecimento sobre a história e a arqueologia da Ilha do Marajó”, do Programa de Pós-Graduação de Antropologia da UFPA. A ideia do Projeto, realizado entre os anos de 2008 e 2009, era capacitar professores marajoaras a se tornarem pesquisadores da região, e, posteriormente, motivá-los a realizar estudos com seus alunos.
A Ilha, conforme define o professor Agenor Sarraf, é divida em duas grandes regiões: o Marajó dos Campos e o Marajó das Florestas. A primeira contempla os municípios de Soure, Salvaterra, Cachoeira do Arari, Santa Cruz do Arari, Chaves, Muaná e Ponta de Pedras; a última engloba os municípios de Breves, São Sebastião da Boa Vista, Curralinho, Bagre, Melgaço, Anajás e Afuá. “Mas nem todos puderam enviar professores para o curso de formação de pesquisadores”, pondera o professor Agenor Sarraf, um dos organizadores da obra. Além dele, o livro também foi organizado pelas professoras Denise Pahl Schann e Jane Felipe Beltrão.
Produção textual - Com 24 professores participantes, o Projeto foi dividido em três etapas. Na última fase, realizada em Belém, foi ofertada uma oficina de produção textual, para que os professores pudessem confeccionar seus textos explorando o conteúdo oral, escrito e visual da pesquisa. Ao todo, foram coletados 22 documentos que serviram para a composição do livro.
Além do lançamento no próximo dia 29, a obra também será lançada em Melgaço, no dia 24 de setembro, e em Salvaterra, com data a definir. “A escolha desses dois municípios justifica-se por sua importância no desenvolvimento do Projeto. Número representativo de professores participou de todas as etapas e teve seus textos incluídos nos dois volumes, tanto neste primeiro, para o ensino fundamental, quanto no segundo, para o ensino médio, o qual estamos terminando de confeccionar. Outro motivo da escolha foi para visibilizar outras realidades marajoaras”, explica Agenor Sarraf.
Conhecendo a própria história - “Os livros didáticos que os alunos da região utilizam para o estudo não mencionam a riqueza histórica e cultural dos Marajós, então, eles acabam conhecendo a história de outros locais e desconhecendo a história de onde eles moram. Queremos torná-los cidadãos mais críticos e conhecedores da trajetória histórica, da riqueza arqueológica e patrimonial da região em que vivem. Essas ações poderão ser alicerce na intervenção competente para provocar mudanças sociais em sua realidade”, conclui o professor.
Outro livro está sendo organizado com foco em estudantes de ensino médio, conforme sinalizou acima o professor. A data para lançamento deste último está prevista para o final do ano ou para o início de 2012. ( Ascom UFPA)