Prefeitos e secretários municipais de Saúde do Marajó estiveram reunidos no último dia 29 de agosto com o secretário de Estado de Saúde Pública, Helio Franco, para apresentar uma pauta de reivindicações. Eles vieram apoiados pela Associação dos Municípios do Arquipélago do Marajó (AMAM), que tem como presidente o prefeito de Portel, Pedro Barbosa. Uma das reivindicações é a ampliação dos procedimentos no Hospital Regional do Marajó, no município de Breves.
Segundo a secretária municipal de Saúde de Breves, Jucineide Barbosa, a implantação do HRM, criou na população a expectativa de que todos os casos de média e alta complexidade seriam resolvidas lá, “mas muitos ainda estão vindo para Belém”.
Helio Franco adiantou que os cardiologistas do Hospital Regional receberão treinamento para atender a pacientes com doença de Chagas em Breves, uma vez que essas pessoas ainda precisam vir a Belém para fazer o acompanhamento no Hospital de Clínicas Gaspar Vianna.
Jucineide falou, ainda, da necessidade de um serviço de terapia renal substitutiva (hemodiálise) no Hospital. Sobre isso, Helio Franco explicou que o principal entrave é a qualidade da água, que tem muito ferro. “Um grupo técnico, inclusive, está fazendo um estudo para encontrar alternativas para a implantação do serviço”.
Prefeitos e secretários marajoaras foram enfáticos em solicitar APOIO DO GOVERNO ESTADUAL TAMBÉM PARA A ATENÇÃO PRIMÁRIA, principalmente no que tange à fixação do médico nos municípios. Eles pensam numa proposta para “aproveitar melhor o profissional na região, desde que haja incentivo do Estado”.
Na oportunidade, Helio Franco informou sobre a realização das Oficinas de Planificação da Atenção Primária, que serão realizadas pela Sespa em todas as regiões, com apoio do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass).
Outro ponto da pauta foi a situação da malária, que preocupa tanto autoridades sanitárias quanto a população. Os gestores querem um trabalho mais integrado com o Estado, unindo as ações do Nível Central da Sespa, da 7ª e 8ª Regionais de Saúde, e as secretarias municipais. A secretária de Saúde de Curralinho, Kátia Polimante, reivindicou que os municípios sejam ouvidos antes das ações serem realizadas e também antes dos novos serviços serem implantados no Hospital Regional.
Também participaram da reunião os prefeitos Pedro Barbosa (Portel), José Antonio Leão (Breves), Márcio Pamplona (Santa Cruz do Arari), Getúlio de Souza (São Sebastião da Boa Vista), João Luiz Melo (Soure), Rui Santos (Muaná) e Edson da Silva Barros (Anajás), David Quaresma (Curralinho), Jaime Barbosa (Cachoeira do Arari) e Adiel de Souza (Melgaço).

ENTREVISTA COM A SECRETÁRIA DE SAÚDE DO MUNICÍPIO DE BREVES JUCINEIDE BARBOSA.
QUAIS OS PRINCIPAIS ITENS QUE OS PREFEITOS E SEUS SECRETÁRIOS ESTÃO COLOCANDO EM PAUTA NESTA REUNIÃO?
Estamos solicitando o apoio por parte do secretário, de mais incentivos para o combate das endemias, a revisão de nosso teto de TFD, que é o Tratamento Fora de Domicílio, apoio para implantação de mais serviços no Hospital Regional do Marajó, que está funcionando a um ano, serviços esses, que atendam as nossas necessidades.
QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS NECESSIDADES?
Acreditamos que atualmente os setores de Oncologia, Neurologia, Nefrologia devido nós estarmos com muitos pacientes em hemodiálise. Temos muitos casos de cirurgias de alta complexidade, por isso necessitamos de um maior aparelhamento, acreditamos serem essas as principais reivindicações entre várias outras.
QUAL A DEMANDA DE ATENDIMENTO DIÁRIO DO HOSPITAL ATUALMENTE?
Como Breves é a porta de entrada, hoje a nossa URGÊNCIA E EMERGÊNCIA chega a atender uma média de 100 pessoas por dia, isso porque todos os pacientes que vão para o Hospital Regional tem que passar pelo Município de Breves. Por isso que estamos solicitando com urgência a implantação de mais serviços para que possamos atender nossa demanda, nossa estrutura atual não é mais suficiente, como Breves é o município pólo do Marajó, todos os pacientes da região do extremo norte do Marajó passam por nós antes de irem ao Hospital Regional.
QUANTOS LEITOS O HOSPITAL TEM ATUALMENTE?
Temos 50 leitos implantados, consideramos que este foi um projeto de grande investimento, e o que queremos, é que ele de fato funcione atendendo as necessidades de todos os marajoaras daquela região.
QUAIS SÃO AS PROPOSIÇÕES DOS SECRETÁRIOS DE SAÚDE DOS MUNICÍPIOS PARA QUE AJA A MELHORA NESTE QUADRO?
Que possamos sentar com as equipes técnicas e todo o colegiado dos Secretários Regionais do Marajó, com isso, executar nossas determinações, estamos entregando oficialmente nas mãos do Secretário um documento com o nosso Perfil Assistencial com todas as necessidades do Hospital Regional de Breves, onde constam todas as especialidades que devemos ampliar e criar, acima de tudo precisamos de mais ajuda para o combate às endemias, principalmente a malaria.
SE A AJUDA POR PARTE DO GOVERNO DO ESTADO VIER, COMO SERÃO FEITAS AS AÇÕES NO COMBATE ÀS ENDEMIAS?
Isso nos proporcionaria a Intensificação de nossas ações, nossa maior dificuldade é a extensão geográfica dos municípios, é muito grande, temos localidades que ficam a 18 km da sede, e só dá pra chegar de barco, o custo médio com combustível para cada viagem é de cerca de 10 mil reais, fora os custos com equipamentos, materiais e equipe técnica.
SÃO ESSAS AS MAIORES JUSTIFICATIVAS PARA O AUMENTO DO TETO DO TFD?
Pedimos essa revisão do Teto Financeiro de Tratamento fora Domicilio, que são os tratamentos que os municípios não possuem e tem de encaminhar para Belém. Por exemplo: Breves que é o maior, recebe 22 mil por mês, e gastamos cerca de 100 a 110 mil por mês. Temos que manter casa de apoio para os pacientes, transporte, diárias, passagens e às vezes tem de ir um acompanhante e mais o técnico de saúde, e nos casos mais graves temos que fretar avião onde o custo por viagem pode ser de 2 mil a 3 mil.
Todos os Municípios vivem essa realidade, e em alguns casos é muito pior, a missão da saúde no Marajó é uma das mais difíceis e complexas, mas continuaremos trabalhando muito para melhorar este quadro.
SE FOR AMPLIADA A CAPACIDADE DE ATENDIMENTO DO HOSPITAL REGIONAL DE BREVES, ISSO CONTRIBUIRÁ PARA AMENIZAR O SOFRIMENTO DA POPULAÇÃO MARAJOARA DAQUELA REGIÃO?
Com a ampliação de nosso atendimento de Urgência e Emergência, será significativa a diminuição da vinda de pacientes para Belém.
MAIS INVESTIMENTO PARA O HOSPITAL REGIONAL DE BREVES PODE SIGNIFICAR A MÉDIO OU LONGO PRAZO NUMA GRANDE ECONOMIA POR PARTE DO GOVERNO DO ESTADO?
Acredito que sim, pois o dinheiro gasto com traslado, atendimento, medicamento, internações e muitos outros itens deixariam de acontecer.
Joabher Bentes
Comunicação AMAM.