Na 17ª edição do concurso de redação do Círio de Nossa Senhora de Nazaré 2011, que trouxe como tema “Fazei tudo o que ele vos disser”, o que contou mesmo para garantir o prêmio foi a criatividade, objetividade e a emoção das palavras.
Nestas características, quem se destacou e levou o primeiro lugar foi Carolina Abdon, de 17 anos. Em segundo lugar ficou a jovem Caroline Lavareda e, em terceiro, Drielly de Fátima, todas elas são alunas de escolas particulares de Belém. A lista com as ganhadoras foi divulgada ontem pela Diretoria da Festa.
Segundo Lílian Acatauassu, coordenadora do concurso, 56 estudantes de 29 escolas participaram da edição deste ano. “O nível das redações surpreendeu os avaliadores. A vencedora usou de muita criatividade, além de obedecer aos critérios exigidos pela organização”, destacou.
Quando tinha 8 anos de idade Carolina Abdon ganhou um concurso de frases promovido por uma clínica de Belém. Porém, o fascínio pela leitura e o interesse pelas letras veio de muito antes, quando era ainda mais jovem. “Eu tinha um livro intitulado Parábolas de Jesus, achava incrível a forma como estavam dispostas todas aquelas histórias e, principalmente, a moral no final de cada uma delas”, disse.
Hoje, aos 17 anos, a garota lê Machado de Assis e Gabriel Garcia Marques. Segundo ela, obras como Admirável Mundo Novo, escrito por Aldous Huxley, e A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón, mudaram sua vida.
As horas que passa na frente do computador navegando na internet, pesquisando artigos, baixando materiais de entretenimento, ciências e cultura proporcionaram a jovem uma visão de mundo peculiar. “Acho que a rede não serve apenas para utilizarmos as mídias sociais, tem um leque enorme de informações relevantes que podem contribuir com uma boa formação intelectual, basta ir atrás”, conta a garota.
A jovem que declarou ser adepta do espiritismo afirmou que tem fé em Nossa Senhora de Nazaré. “Nunca fui ao Círio. Este será o primeiro ano, vou acompanhar a trasladação na corda para pedir a aprovação no vestibular” contou Carolina.
“Vejo no olhar das pessoas pela televisão muita emoção, sinto que eles pedem a ela como se pede a uma mãe”, completa. A facilidade com as letras, que lhe rendeu um computador como prêmio pelo primeiro lugar , é também a segunda opção profissional. Ela vai prestar vestibular para Direito na UFPa e para letras na Uepa.
Sorridente, com palavras firmes e olhar profundo, Carolina disse que a redação foi escrita a partir de um cenário construído em sua mente. “Imaginei que estava no local, vendo Jesus transformar água em vinho, mas não me coloquei no lugar de alguém importante, fiz questão de tentar traduzir para o papel a reação de um trabalhador comum, pobre, rude e sem fé, diante do primeiro milagre do filho de Deus”.
No texto, cujo título é “o milagre”, Maria aparece como uma mediadora, protetora e mãe que confia nas ações do filho. “Recontar uma história de fé e devoção como a deste episódio bíblico proporciona o exercício do amor e da compaixão. Foram estes sentimentos que tentei transcrever naquelas linhas”, afirmou.
TRECHO DA REDAÇÃO
“Todos estavam surpresos, maravilhados com tal milagre, felizes com o vinho da melhor qualidade. E eu atentava para outro milagre: a aridez do meu caminho foi esquecida. Senti vergonha da minha falta de fé e, pela primeira vez, somente acreditando que chegaria ao fim do meu caminho com a certeza que fiz o bem, vivi a certeza da vitória. Finalmente tive fé.”
(Diário do Pará)