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18/01/2012
Variados
PESQUISA MAPEIA AS DROGAS QUE VEICULAM NO MUNDO VIRTUAL
 

Pesquisa feita para o Instituto de Responsabilidade Social Sírio-Libanês (IRSSL), em São Paulo, buscou entender o que motiva os jovens que navegam na internet a buscar informações sobre drogas no mundo virtual. O levantamento partiu de palavras chave como 'maconha', 'cheiro' e 'usuário', identificando diversas comunidades que buscam o fim do vício.

 

Segundo o superintendente executivo do IRSSL, Dr. Sérgio Zanetta, é muito importante entender a forma como as pessoas estão se expressando com relação às drogas. A pesquisa do IRSSL também mostrou que entre 6% e 8% da população necessita de atendimento regular devido aos transtornos causados pelas drogas e pelo álcool entre usuários e co-dependentes, que são as pessoas afetadas pela convivência com os viciados.

 

Conforme a psicóloga paraense Ana Maria Guapindaia, que trabalha com dependentes químicos, a internet pode ser considerada um agente facilitador para a apresentação do jovem às drogas, por ser um meio de comunicação onde há o encontro entre diversos grupos sociais. 'No entanto, a internet, do ponto de vista isolado, não influencia o uso das drogas. Há fatores tanto sociais quanto psicológicos que levam o indivíduo ao consumo', ressaltou. Sobre o atendimento básico recomendado, a psicóloga indica que os usuários procurem os Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD) e grupos de ajuda mútua, como os Narcóticos Anônimos.

 

A pesquisa também destacou depoimentos de ex-viciados em vídeos no site YouTube, apelos de pais por seus filhos em redes sociais como Orkut e Facebook, além de blogs mantidos anonimamente por pessoas que buscam apoio para manter o tratamento e largar o vício. Ana Maria Guapindaia também vê a internet como uma aliada no combate às drogas, assim como uma grande fonte de informação, tanto para a família do usuário quanto para os dependentes.

 

Para o estudante Lucas Barros, 18 anos, também é comum encontrar na internet material de apologia às drogas. 'A moda de organizar movimentos pela internet tem crescido muito e já vi pequenas fagulhas de movimentos sobre legalização da maconha organizadas no Twitter e comunidades do Orkut', observou. Ele conta ainda que alguns sites de venda chegam a anunciar

acessórios para o consumo de drogas, o que mostra a facilidade do acesso.

 

Segundo o médico Sérgio Zanetta, é fundamental munir os familiares com informações sobre os principais fatores que levam os jovens a se drogarem. Porém, uma vez que ele já faça uso, a psicóloga Ana Guapindaia chama a atenção para alguns sinais que podem ajudar os pais a identificar um usuário, como mudanças bruscas de humor, irritabilidade, insônia, olhos avermelhados e necessidade cada vez maior de dinheiro. 'Tão importante quanto identificar, é entender que a dependência química é uma doença e que agressões, castigos ou qualquer conduta que possa afastá-lo do meio familiar não vão ajudá-lo a se perceber como doente e a buscar ajuda', afirmou.

 

Fonte: O Liberal

 

"CLIQUE AQUI PARA SE DROGAR"

 

Drogas virtuais: software disponibiliza doses sonoras que prometem provocar sensações estranhas em seus usuários

 

Ana Luísa Amaral

Julia Moioli

 

Clique e drogue-se. Este é o slogan do I-doser, um programa de computador criado em 2006 por americanos, com o propósito de provocar mudanças nas ondas cerebrais do usuário e imitar o efeito causado por drogas como maconha, cocaína, heroína etc. A proposta do programa é bastante polêmica, pois funciona como um portal de “drogas virtuais”, e seus efeitos são bastante questionados.

 

O I-doser emite as chamadas “doses” de ondas sonoras, que são arquivos de áudio descartáveis com duração de 15 a 45 minutos. Para acessar, é necessário comprar kits de três doses, que custam aproximadamente 10 reais, ou kits maiores, que podem custar até 50 reais. A compra é realizada no site do próprio I-doser ou até mesmo através de um aplicativo disponível para Iphones.

 

Até o momento, não foram realizados estudos satisfatórios que comprovem se os efeitos causados por essas doses são reais. Existem usuários que utilizam o programa com frequência e afirmam sentir alterações em seu organismo durante e depois do uso.

 

Em contrapartida, muitas pessoas que experimentaram dizem que o único efeito surtido é a dor de cabeça. Existe a hipótese de que o efeito do I-doser seria placebo, isto é, sentido apenas por aqueles que confiam na sua credibilidade e que, por pensarem dessa forma, têm a sensação de que o programa realmente os afeta.

 

Mas afinal, o que o I-doser nos acrescenta? Partindo de uma visão positiva, vale destacar que o software pode servir de alternativa às drogas ilícitas. Certamente é algo vantajoso, visto que o I-doser não possui efeitos ou dependência comprovados, ao contrário de drogas como cocaína, crack, heroína etc. Entretanto, o programa poderia servir também como uma porta para o mundo das drogas reais e aumentar o número de usuários.

 

A ideia de um possível “tráfico virtual de drogas” também assusta e, se a venda das doses crescer nos próximos anos, algo assim pode se estabelecer. O programa tem ganhado cada vez mais reconhecimento (apesar de não ser tão popular aqui no Brasil, está cada vez mais famoso nos EUA e na Europa), e certamente seus criadores vão procurar, cada vez mais, maneiras de divulgá-lo, visando a um maior faturamento.

 

Independentemente dos efeitos reais do I-doser, esse tipo de prática seria muito pouco saudável para a população jovem. A partir do momento em que a palavra “droga” é citada e um slogan convidativo incentiva o uso do software, tudo aquilo que os pais e educadores tentam transmitir aos adolescentes a respeito das drogas conhecidas — são proibidas por lei, causam dependência, efeitos colaterais etc. — se confunde, perde o sentido.

 

Analisando os prós e contras, o programa não obtém bons resultados. A polêmica envolvida é muito maior do que os poucos pontos positivos que o I-doser parece apresentar. Clicar para se drogar, levando em conta a imensa quantidade de coisas interessantes que se tem para fazer na internet, é pouco enriquecedor.

Comunicação AMAM
 
  
 
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