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06/06/2012
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Cultura e Esporte para estudantes de escolas ribeirinhas na Estação Científica Ferreira Pena
 

As prefeituras de Portel e de Melgaço realizaram na Estação Científica Ferreira Pena, na floresta de Caxiuanã, uma grande gincana esportiva/cultural com centenas de jovens estudantes de ambos os sexos das escolas situadas nas beiras dos rios próximos.

Foi uma festa que se repete há cinco anos e cada vez empolga mais professores e alunos. 

Além de disputas esportivas como futebol, de conjunto de remos mais rápidos e natação, os alunos participam de oficinas e palestras sobre meio ambiente e desenvolvimento sustentável aprendendo a lidar com a floresta, respeitá-la e protege-la. 

“Os estudantes têm contato com cientistas e pesquisadores, trocam ideias, aprendem coisas incríveis e saem com uma nova visão preservacionista", atesta o prefeito Pedro Barbosa, que após o final do evento distribuiu medalhas aos vencedores, e de surpresa sorteou duas passagens aéreas e hotel para estudantes irem participar da conferência Rio + 20. Em meio a muita emoção e lágrimas, todos se abraçaram, almoçaram, tomaram suas embarcações e voltaram para casa feliz e mais cidadãos.

    No ano que vem a Estação Científica Ferreira Pena, instalada em uma área de 330 mil hectares de mata densa nos municípios de Portel e Melgaço, no Marajó, completará 20 anos de existência. A Estação está instalada próxima às margens do rio Caxiuanã, afluente do rio Anapu, que em linguagem indígena significa lugar de muitas cobras. E como tem. Na semana passada três pessoas, uma delas bem jovem, foram picadas por jararaca, uma das espécies  mais encontradas. Ainda bem que a Estação tem uma enfermaria e presta socorro aos ribeirinhos.

As  instalações da Estação foram construídas com recursos do governo da Grã Bretanha e interferência direta do Príncipe Charles, que veio pessoalmente  ao Pará, quando da assinatura do acordo entre os dois países.Ela é composta de edificações em alvenaria que se interligam através de largos corredores com acomodações em redes e apartamentos para pesquisadores, cientistas, técnicos e pessoal de apoio, salas de trabalho e pesquisa, biblioteca, cozinha e refeitório além de espaços de lazer e leitura.

A Estação recebe estudiosos de diversas áreas como de climatologia que avaliam precipitação pluviométrica, atmosfera e a resposta da floresta às mudanças climáticas; a zoologia que estuda animais de grande e pequeno  portes acompanham seu crescimento e desenvolvimento. Incluem-se aí peixes, répteis e insetos. Os pesquisadores elaboram ainda estudos sobre a água, sua acidez o ph e outros fatores; a botânica com inventário das matas, as folhas, os frutos, a seiva, e novas espécies e a arqueologia já que na região existiam muitas tribos indígenas que  deixaram vestígios.

O coordenador da Estação é José Antônio Pereira Junior, engenheiro civil formado pela UFPA que acompanha o projeto desde a fundação com a chegada dos primeiros operários para desmatar a beira do rio, construir um trapiche, que ainda existe, apenas foi ampliado, e abrir a clareira onde as instalações foram construídas. Hoje a Estação utiliza energia solar para 90% de sua demanda e um grupo gerador a diesel para o restante. O lixo é todo recomposto na natureza e os recicláveis  levados para Portel. Ele revela que é apaixonado pela Estação, não se sente bem em cidade grande e procura dar toda a assistência aos pesquisadores que passam de uma semana a um mês na floresta em estudos e observações. É o caso de Priscila Medeiros, cientista ambiental, trabalhando em pesquisa com floresta inundável, como igapós e várzeas e a criação de fungos nesses ecossistemas. Priscila reconhece que ficou impressionada com a estrutura de Caxiuanã e principalmente pela relação que é mantida com os povos da floresta, que auxiliam os cientistas nas andanças pela mata, na captura de animais, nos ensinamentos da natureza e nos “causos”, contado à luz das estrelas ou da lua. Priscila está radiante com a presença de mais de 300 alunos de escolas públicas do interior de Melgaço e Portel, que participam durante três dias de uma gincana esportiva nas modalidades que  eles mais dominam como remo, natação e futebol. A programação é promovida pelas prefeituras locais e tem apoio da Estação que cede o espaço onde às crianças e jovens participam de oficinas e debates  sobre os cuidados com meio ambiente e desenvolvimento sustentável. “Os professores aprendem muito aqui e essa troca de informações extra classe contribuiu para a formação de cidadãos mais críticos e responsáveis com o meio ambiente “, admite o prefeito de Portel, Pedro Barbosa, que criou há mais de cinco anos  essa gincana. Como inovação e premiação aos  alunos de destaque foram sorteados duas viagens ao Rio de Janeiro para acompanhar o evento Rio+20. Os jovens estudantes Solange, de Portel e  Odilon, de Melgaço, foram os contemplados.

Quem mais conhece a floresta e suas entranhas, é Flávio Vieira Vaz, conhecido por Pão. Ele é nascido em Caxiuanã, nunca foi mais longe  que Belém, distante mais de   vinte horas de barco, mas é especialista em florestas não só a de lá como de boa parte daquela região do Pará. No projeto ele está há vinte anos e se gaba de nunca ter colocado cientistas em apuros na mata, seja perdido ou por ataque de animais. Ele reconhece que mudou muito sua maneira de se relacionar com  a floresta depois de acompanhar tantos pesquisadores e presenciar tantos estudos, mas confessa  que pouco entende de tudo que assiste. Pão descreve intrigado  uma experiência de quase dez anos que tem lhe tirado o sono. Os cientistas cobriram com lona e placas de madeira um hectare de floresta que está todo esse tempo sem sol e com pouca chuva, que penetra  pela galhada das árvores maiores que não puderam ser cobertas. Atualmente, 80% da vegetação estão mortas e somente as que recebem essa água da chuva ainda sobrevivem. Na cabeça de Pão, não dá para entender tanta maldade com a natureza. Mas os cientistas avaliam que daqui a mais dez anos a natureza terá dado uma resposta a essa situação de falta de sol e chuva e isso poderá ser de grande valia em estudos futuros.

                                                                                                         Comunicação /AMAM


 
  
 
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