MESA REDONDA DISCUTE A FEDERALIZAÇÃO DO MARAJÓ
A viabilidade da criação do “território federal do arquipélago do Marajó, possibilidades e limites " foi o tema da Mesa Redonda ocorrida no auditório do setorial básico da UFPÁ, sob a coordenação do professor de filosofia Jorge Moraes, que reuniu o presidente da Associação dos Municípios do Marajó, prefeito de Portel Pedro Barbosa, o bispo prelazia D. Luiz Azcona, a diretora do Instituto Econômico e Social do Pará (IDESP), Adelina Braglia além de representantes da Universidade, associações e entidades convidadas e estudantes.
O presidente da AMAM, Pedro Barbosa, enfatizou que a federalização poderá gerar frutos desde que se cumpra as metas estabelecidas pela sociedade civil em diversos encontros regionalizados que apontam caminhos estratégicos para o desenvolvimento sustentável. Barbosa observou que Brasília ainda sabe pouco sobre as peculiaridades do arquipélago por isso empreende políticas que nem sempre surtem o efeito desejado. Lanchas escolares com consumo excessivo de combustível e de mecânica complexa, postos de saúde que têm de ser construídos em alvenaria, veículos de quatro rodas em locais que as ruas são todas em palafitas são alguns desses equívocos, comentou. Mas reiterou que se a federalização resultar em ações efetivas para melhorar a qualidade de vida de quase 500 mil marajoaras e não ser apenas um cabide de emprego tem todo seu apoio.
A diretora do IDESP, Avelina Braglia, apresentou uma relevante pesquisa sobre o índice de desenvolvimento humano não só do arquipélago, mas de outras regiões paraenses mostrando que a diferença do Marajó (0,63), para outras regiões como a do Capim e Caeté (0,64), demonstram que o Pará como um todo vive uma mesma realidade e nem a força expressiva da extração mineral, madeireira, pesca e agropecuária consegue mudar muito essa realidade. "Vivemos em um Estado rico com uma população que não alcança esses benefícios ", destacou. E disse ser contrária à federalização em curto prazo porque atualmente a maioria das decisões do Governo Federal nas diversas áreas vem goela abaixo, não passa pelo crivo do Estado e que a federalização vai aprofundar mais ainda esse distanciamento de políticas conjuntas.
O bispo D. Luiz, adiantou que defende a federalização do arquipélago desde que seja uma luta encampada pelo povo com apoio limitado da igreja. Azcona não poupou palavras retiradas de um documento emitido em encontro de bispos da Amazônia relatando a situação tirana imposta pelos governos, empresários e bandidos que instalam o medo, a insegurança, falta de direitos e humilhação ao povo marajoara. Falou que a federalização poderá trazer benefícios práticos como a presença da Polícia Federal na fóz do Amazonas a fim de combater o narcotráfico, contrabando de armas e de exploração sexual, desarticular a banda podre de membros das polícias do Estado e combater a pirataria, um mal que tem tirado vidas e a tranquilidade do povo do Marajó. " O Marajó sofre um processo de africanização com 37% da população analfabeta em média o que contribui para o tráfico humano, a exploração sexual de meninas e o abandono de populações ribeirinhas', acrescentou.
Azcona pediu mais políticas públicas dos poderes Executivo, Judiciário e Legislativo com presença marcante na sociedade evitando que o poder paralelo se fortaleça. O professor Jorge Ramos agradeceu a participação dos convidados e ouvintes, destacou a importância da UFPÁ colaborar nesse debate e previu outros eventos sobre o tema que deverá sair das gavetas do Congresso Nacional onde foi arquivado há cinco anos para novos debates sobre a viabilidade ou não da criação do território federal.